A cobertura do Estadão sobre a crise hídrica paulistana em 2014: jornalismo na ideologia neoliberal

Autor: Maria Telma Vieira de Oliveira Mondoni
Tipo de produção: Produção científica
Classificação: Dissertação/Tese
Data: 28/09/2017

Resumo

Nesta pesquisa objetivamos analisar o fazer jornalístico na contemporaneidade, tendo como foco a cobertura relativa à crise hídrica vivida pela capital paulista, e sua região metropolitana, em 2014, devido ao alto grau de vulnerabilidade que a população local esteve exposta. O periódico eleito para a empreitada proposta é o veículo digital Estadão, que se encontra hospedado no endereço eletrônico www.estadao.com.br. Para tal intento, foram analisadas as matérias publicadas pelo Estadão entre 15 de maio e 31 de dezembro de 2014, período no qual se verificou – por diferentes motivos-, o recrudescimento da escassez de água na Grande São Paulo. Do ponto de vista pragmático, este trabalho ancora-se em um protocolo metodológico para a análise de cobertura jornalística. A perspectiva teórica baseia-se na reflexão sobre a dimensão ideológica da prática editorial do veículo e o seu vínculo com o modo de produção capitalista. A exploração comercial da água pela Sabesp é abordada sob a ótica neoliberal. O trabalho encontra-se dividido em três capítulos. O primeiro contempla o contexto histórico dos tópicos que desencadearam o estresse hídrico de 2014, e as características das administrações da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) a partir de sua criação em 1967. No capítulo 2, traça-se o perfil empresarial do Estadão e as questões ideológicas presentes em sua forma de atuação. Procedemos ao prévio levantamento quantitativo do corpus total da pesquisa, focando os itens que mais se destacaram durante a classificação das 485 matérias que compuseram a coletânea universal deste estudo. No último capítulo, realizamos a análise da cobertura do Estadão sobre a escassez de água na Grande São Paulo. Ao contrário da seção anterior, nesta derradeira fase foi avaliado corpus amostral com 54 matérias, contemplando todos os meses do recorte de tempo estudado. Entre os resultados mais emblemáticos, ressalta-se que apesar de ter reconhecido a importância da crise hídrica paulistana – a ponto de mobilizar um dos repórteres para a cobertura do assunto -, o Estadão não abdicou do discurso oficialista nem de seus critérios político-ideológicos em favor de cerca de 20 milhões paulistanos que foram afetados pela falta de água.

Palavras-chave: Jornalismo. Cobertura. Neoliberalismo. Estadão. Crise hídrica.