Como melhorar a cobertura de saúde feita pela mídia?

Por: Julya Vendite, do Núcleo de Mídias Digitais

Conheça o curso Jornalismo e Medicina, desenvolvido pela professora Tatiana Ferraz

Turma do curso Jornalismo e Medicina reunida

A área da comunicação, principalmente o Jornalismo, apresenta cada vez mais cursos e disciplinas especializadas em diversos assuntos, como moda, gastronomia, economia, mídias sociais, entre outros. Mas, e quando se trata de medicina, você já viu algo relacionado ao tema?

Segundo a professora da Cásper Líbero, Tatiana Ferraz, o trabalho jornalístico em medicina, por vezes, prioriza a audiência e os cliques, com manchetes chamativas. Ela defende que, diferente de outros assuntos em que o Jornalismo se apóia, quando se trata de saúde não há, no Brasil, um curso ou uma disciplina específica para o assunto.

“A maioria das notícias de saúde, não é notícia. Por exemplo, uma notícia que fala sobre o risco de gripe, se fosse bem escrita, com o lide e a pirâmide invertida, a primeira informação que deveria ser dada é ‘lave suas mãos’, mas qual jornal trará essa manchete?” – Professora Tatiana Ferraz sobre a cobertura de saúde na mídia.

Esta percepção, de que falta um ensino dirigido a assuntos médicos, motivou a pesquisa de doutorado da professora na Unifesp – Escola Paulista de Medicina. Ela pretende demonstrar que, com conhecimentos teóricos básicos sobre o assunto, o trabalho dos jornalistas na área pode melhorar, e muito!

Para isso, casperianos do 3º e 4º anos de Jornalismo, e recém formados, interessados em aprender mais sobre saúde e medicina, foram convidados para participar do curso “Jornalismo e Medicina”, oferecido pela professora. A iniciativa promovida por Tatiana Ferraz é pioneira na área da Comunicação e conta com aulas específicas ministradas por médicos e especialistas interessados em aprimorar a relação jornalista/profissional da saúde. O objetivo é descobrir maneiras de “traduzir” melhor ao público informações relacionadas a doenças, epidemias, campanhas de prevenção e os perigos das falsas notícias relacionadas a medicamentos e alimentação.

O curso irá desenvolver conceitos como medicina baseada em evidências, que ensina aos alunos como associarem resultados para interpretar dados sobre saúde; conhecimentos estatísticos básicos; noções sobre exames médicos e conhecimentos gerais em saúde e saúde pública; estratégias de busca e utilização de base de dados específicas; o uso e elaboração de realeses em Medicina, e as principais noções de ética médica na relação com o paciente e na relação com o jornalista.

A primeira edição do curso, que está em andamento, já tem mostrado alguns resultados. A professora Tatiana comenta que, ao londo das aulas, os alunos têm mostrado maior senso crítico ao lerem matérias sobre saúde e trazem questionamentos pontuais. “A ideia não é simplesmente criticar negativamente todas as matérias sobre saúde, mas sim ter uma visão crítica e produzir conteúdos mais elaborados, que não irão resultar em um alarde para a população”.

Oficina Jornalismo, Saúde e Nutrição

Além do curso que está em andamento, na Semana de Comunicação Cásper Líbero 2017, as professoras Tatiana Ferraz e Helena Jacob ministraram uma oficina sobre “Jornalismo, Saúde e Nutrição”, para falar sobre como esses assuntos constroem um cenário de estratégias comunicativas que os aproxima constantemente e se encontram em intensa explosão cultural.

A professora Helena Jacob defende que, quando se fala em alimentação, a cobertura feita pela mídia está muito adequada à era do espetáculo na qual estamos totalmente inseridos: exposição midiática e capitalismo, e que, na verdade, uma alimentação funcional é uma alimentação baseada no alimento como remédio (funcionalidade), como um elemento que é pura ciência.

“A linguagem fitness disputa espaço midiático com a gastronomia e com a culinária, mesmo considerando-se que se apropria de elementos típicos das duas linguagens”. – Professora Helena Jacob, na oficina Jornalismo, Saúde e Nutrição.