Perfil Carlos Costa

Por: Alana Claro, do 2° ano de Jornalismo

Academia em revista

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Academia em revista

Carlos Costa e sua trajetória de diretor de redação da Playboy a docente e diretor da Faculdade Cásper Líbero.

Por Alana Claro, do 2° ano de Jornalismo

O diretor da Faculdade Cásper Líbero foi editor de revistas como Playboy, Quatro Rodas e Elle Brasil – depois veio lecionar na Cásper e coordenou o curso de Jornalismo. Esses são alguns dos trabalhos de Carlos Roberto da Costa. Doutor (2007) e mestre (2003) em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), graduado em Teologia pelo Instituto de los Sagrados Corazones em Madrid (1972), em Filosofia pela Universidade Mogi das Cruzes (1973) e em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero (1978), Carlos Costa ministra na pós-graduação da Cásper o curso Criação e Edição de Texto Jornalístico para Diferente Mídias.

Natural de Londrina, no Paraná, Carlos Costa almejava carreira bem diferente das redações da Editora Abril: queria ser padre. Após deixar a carreira religiosa, trabalhou na Secretária do Bem-Estar Social da Prefeitura de São Paulo, coordenando uma equipe de professores no Movimento Brasileiro de Alfabetização, o Mobral. Logo na sequência foi para o Diário de S. Paulo, um dos últimos jornais de Assis Chateubriand na capital paulista, e depois para a Editora Abril, onde começou revisando a coleção “Os Pensadores”.

Em plena ditadura militar e com a obrigatoriedade do diploma de jornalista, a Abril pediu que Costa fizesse faculdade de Jornalismo. Nesse período, dedicou-se pouco aos estudos acadêmicos, pois tinha um trabalho encaminhado na editora de renome e passaria das revisões de livros para o setor de revistas, ou, melhor dizendo, para a redação da revista Playboy. Ficou ali 17 anos e aperfeiçoou suas habilidades jornalísticas a ponto de chegar a exercer o cargo de diretor de redação. Entre alguns de seus trabalhos preferidos na Playboy, ele cita o Ranking das Melhores Universidades Brasileiras de 1982, que lhe deu um panorama interessante sobre o ensino superior nacional.

Em 1984, foi convidado a trabalhar na sucursal da Abril no Rio de Janeiro. A permanência na Cidade Maravilhosa durou quase três anos. Seu retorno para São Paulo culminou com uma promoção para redator chefe e depois diretor de redação da Playboy, período em que a revista estava no seu auge com mais de 1 milhão e 300 mil cópias vendidas. Contudo, sua trajetória na Abril ainda teve passagens pela redação da Elle Brasil, pela Quatro Rodas e pela sucursal argentina da editora, sob o logo Editorial Primavera, o que o levou a morar em Buenos Aires por três anos.

Após quase trinta anos na Abril, Costa saiu da editora em 1999, iniciando no ano seguinte a carreira docente em sua alma mater, a Cásper Líbero. Nessa mesma temporada, ele tocou três revistas, a Ensino Superior, a Diálogos e Debates (editada por doze anos para o Tribunal de Justiça de São Paulo) e a Getúlio, da FGV. Ao sair da Abril, iniciou o mestrado na ECA-USP: o tema era a revista Playboy; a orientadora, Dulcilia Buitoni. O doutorado, feito também na USP e publicado em livro, manteve o interesse do professor por revistas: A revista no Brasil do século XIX.

Na Cásper Líbero, Carlos Costa lecionou História da Comunicação para os primeiroanistas de Jornalismo. Coordenou o curso de Jornalismo, além de ter editado as revistas laboratoriais Imprensa, Esquinas e Cásper. Atualmente, como diretor da Faculdade, ele comenta estar realizado, ansiando pelos novos projetos de ensino e pelas melhorias que pretende implantar nos cursos. Segundo o professor, ele se encontrou no Jornalismo e na docência, pois tem alma de repórter e busca sempre o rigor da informação e os melhores resultados – características vitais para o cargo que ocupa.

Sua disciplina na pós-graduação, Criação e Edição de Texto Jornalístico para Diferentes Mídias, começou há muitos anos, quando se transferiu para a revista Quatro Rodas, ainda nos tempos da Abril. Na época, Costa pegou uma redação complicada, despreocupada em conversar com o leitor e cheia de textos repetitivos. Ele mudou o esquema de produção de textos, propondo grupos de trabalho para análise textual e apostilas para redigir melhor. Seus métodos chamaram atenção da então diretora da Capricho, Mônica Figueiredo, que o convidou para dar um workshop na redação da revista adolescente. Assim, sua matéria na pós-graduação está filiada à tradição da escrita criativa. Costa utiliza filmetes como base para os alunos escreverem suas narrativas. Em suas palavras: “Eu não acho que é lendo um manual de redação que você aprenderá a escrever. A gente aprende a escrever, escrevendo. Tenta, erra e melhora. A arte de escrever está também em descrever. Se você começa a dar opinião, o texto fica chato”.