
Crédito: Hares Pascoal
Na manhã do dia 30 de setembro a sala Aloísio Byondi, no 5º andar da Faculdade Cásper Líbero, houve a mesa de debates sobre “Jornalismo na Academia”. Mediada pelo professor José Eugenio de Oliveira Menezes, o encontro contou com a presença de quatro convidados com expressiva produção acadêmica na área jornalística: Anderson Gurgel, Leandro Beguoci, Marcelo Cardoso e Luís Mauro Sá Martino.
Quem abriu a palestra foi Anderson Gurgel, professor da Unisa (Universidade de Santo Amaro) e do Mackenzie e jornalista especializado em esportes e economia. Para ele, embora o cenário atual seja o de um mercado de trabalho muitas vezes hostil ao conhecimento acadêmico, a experiência universitária é importante para a formação profissional de jornalista, e digna de ser valorizada. Anderson acredita que essa barreira entre o mercado e a academia deve ser quebrada e ainda afirmou que “Sempre quis fazer a ponte entre esses dois mundos”.
Em seguida teve voz Leandro Beguoci, editor-chefe da empresa de produção de conteúdo F451 e professor da FAAP. Ex-aluno da Cásper Líbero, Leandro contou como o jornalismo mudou nos últimos dez anos, desde a época de sua formatura até hoje. Para ele, o momento atual é de muitas mudanças e de novas reflexões, e que por isso a intersecção entre mercado e academia mostra-se tão importante: “O jornalismo sem método acadêmico é cego, não consegue ver adiante. E a Academia sem o jornalismo não tem perna, porque ela não consegue andar para onde estão algumas outras discussões”. Otimista, Leandro completa dizendo que estamos em uma boa época para “fazer e pensar o jornalismo”.
Marcelo Cardoso, também jornalista e professor da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) e da Faculdade de Belas Artes, deu seqüência à discussão. Especializado em jornalismo radiofônico, ele permeou sua fala com vários exemplos nessa área e abordou a relação mercado-academia sob um ponto de vista diferente: para ele, no mercado de trabalho a tendência é sempre produzir “mais do mesmo”, ou seja, não há muito espaço para inovação e experimentação. A academia, por sua vez, é o local onde se tem chance de trabalhar coisas novas. “Aqui vocês podem errar, lá fora não. E é só errando que a gente encontra realmente o novo.” Assim como os outros palestrantes, ele aposta nesse diálogo entre os “dois mundos”.
Por fim, Luís Mauro Sá Martino, professor da Cásper e editor da revista Líbero, propôs-se a falar sobre “a academia como carreira”. Ele explicou que a chamada “Área Acadêmica” pode até não ser o primeiro caminho apresentado para os alunos de jornalismo, mas que não deixa de ser uma ótima opção. O pré-requisito é simples: gostar de estudar. E esse gosto pelos estudos nada mais é do que, segundo ele, “a paixão por aprender coisas novas, por tentar olhar um pouquinho além do que você costuma olhar no seu dia-a-dia”.
É essa paixão que torna o trabalho gratificante, ele diz, pois seguir carreira acadêmica significa que em algum momento você vai ser pago para estudar, pago para fazer uma coisa de que gosta. Além disso, é perfeitamente possível direcionar-se para a pesquisa e ao mesmo tempo exercer a profissão de jornalista – não são duas áreas excludentes, mas sim convergentes. Luís Mauro encerra seu raciocínio constatando que essa convergência entre as duas áreas tem um único efeito: “legitimar um pouco mais a área. Mostrar que o jornalismo também é sério.
Mostrar que, sim, você precisa de fronteiras para ser jornalista, porque é diferente você passar uma informação de um meio de conflito do que você apurar, você ir atrás, você saber ler, saber escrever, você produzir conhecimento”.
A palestra foi muito proveitosa para os alunos poderem conhecer um pouco mais sobre o caminho do jornalismo na academia, que muitas vezes é esquecido em meio às preocupações relativas ao mercado de trabalho.
Após a entusiasmada fala dos professores, os assistentes tiveram espaço para fazer perguntas e questões práticas sobre a área acadêmica, e todas foram respondidas, desde o procedimento para conseguir um bom orientador de mestrado até a melhor maneira de delimitar o campo de pesquisa para uma iniciação científica. Todos os participantes mostraram-se abertos ao diálogo e provaram que a vida acadêmica também pode ser uma perspectiva interessante para os estudantes de jornalismo.
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