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A REVISTA

Líbero é a revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Faculdade Cásper Líbero, de periodicidade quadrimestral. Publica textos inéditos, de autoria individual ou coletiva, sob a forma de artigos, resenhas ou entrevistas, assinados por autores nacionais e estrangeiros. Trata-se de espaço destinado à disseminação de conteúdo científico voltado aos processos comunicacionais e suas expressões culturais, narrativas, tecnológicas, políticas e econômicas. Para saber mais, acesse o site da revista.

Quem pode publicar na Revista Líbero

Os editores da Revista Líbero aceitam trabalhos inéditos, de autoria individual ou coletiva, assinados preferencialmente por professores dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação do Brasil, ou por professores e pesquisadores doutores estrangeiros da área de Comunicação, sempre que aderentes à área de concentração e às linhas de pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero. A assinatura de pelo menos um professor doutor é indispensável e não se aceitam trabalhos de co-autores que não tenham pelo menos o título de mestre.

Os textos, sobre a forma de artigos ou resenhas, serão submetidos, inicialmente, à aprovação da Comissão Editorial para verificação de sua aderência à área de concentração e às linhas de pesquisa do Programa. Os artigos passarão em segunda pela avaliação de dois pareceristas externos ao Programa da Cásper Líbero e, caso necessário, um terceiro parecerista externo será adicionado. No caso de aprovação com ressalvas, o texto será encaminhado ao ator autor para as devidas correções.

EDIÇÃO ATUAL - LÍBERO #46

2020 foi um ano turbulento, em razão de uma série de acontecimentos pelo mundo, mas primordialmente pela pandemia de Covid-19, que reorganizou a agenda global, alterou cotidianos e gerou inquietações de toda ordem. Um micro-organismo desvelou inúmeras mazelas não corrigidas pelo progresso, pelas conquistas tecnológicas, e sinalizou às sociedades – especialmente às que se consideram/consideravam inatingíveis – sua vulnerabilidade, obrigando-as a encarar seus limites e a buscar possibilidades para guiar seus rumos.

Não é possível prever como será o século XXI após o desfecho do que se iniciou neste ano, para além do óbvio: mudanças devem ser suscitadas em diferentes âmbitos, desde aquelas mais ordinárias, dos nossos trajetos a nossa sociabilidade, até outras mais profundas, quiçá estruturais. “Óbvio” porque a instabilidade gerada pela pandemia nos tem, de fato, obrigado a promover transformações em várias esferas, seja pela necessidade de adequações, seja porque a própria turbulência do período instiga a renovar aspectos que se encontravam num mesmo ponto há considerável tempo. É o que tem ocorrido também nos espaços acadêmicos, minimamente no âmbito de aulas, orientações, bancas, reuniões e eventos que nos conectam pelas mais diversas plataformas digitais.

O gancho das mudanças que despontam nas instituições de ensino e pesquisa serve-nos para situar as alterações que começam a ser feitas em LÍBERO a partir desta edição, a última de 2020. No bojo do cenário descrito, encaminhamos um processo de reformulação editorial da revista, que tem início com a retomada, já neste número, da seção Texto em Contexto – dedicada a autores de referência na área, eventualmente atuantes no exterior – e que se desdobrará, ao longo de 2021, numa gama de outras mudanças: em sua periodicidade, já que a revista passará a ser quadrimestral; em seu conselho editorial, que será ampliado, com vistas a contemplar a diversidade das regiões brasileiras; e em seu projeto grá6co, a traduzir visualmente o esforço de renovação.

Decididas pela Comissão Editorial, em meio a discussões e busca colegiada pelas soluções mais adequadas, as novidades ambicionam aprimorar o desempenho do periódico, respeitando sua trajetória de mais de duas décadas e com atenção às expectativas atuais da área em que se situa – a Comunicação –, principalmente as do âmbito da pós-graduação. Uma mudança concerne às possibilidades de coautoria, agora não mais restritas a doutores, justamente por entendermos que importantes pesquisas são desenvolvidas a várias mãos, em grupos que reúnem pessoas de variados níveis de formação. Desejamos que LÍBERO seja um espaço marcado, cada vez mais, por excelência e pluralidade.

A edição nº 46 é aberta, como antecipamos, com a seção Texto em Contexto, na qual Ana Carolina Damboriarena Escosteguy, em seu ensaio Estudos culturais feministas: a importância de afirmar uma nomeação, se aprofunda na tradição britânica dos estudos culturais, para discutir a relação das pioneiras contribuições dessa corrente com as pautas feministas emergentes entre a década de 1970 e o início da de 1990.

Em seguida, a seção Artigos reúne nove textos de temas livres, submetidos em fluxo contínuo. O primeiro deles, A cultura das tradições seletivas: (in)visibilidade de rainhas e princesas negras do Clube Treze de Maio no jornal A Razão (1960-1980), de Giane da Silva Vargas, situa a experiência de mulheres negras de Santa Maria (RS) no ponto de tensão entre o espaço aberto a elas por um clube social negro e a representação de suas conquistas na imprensa local, num período entre os anos 1960 e 1980. O horizonte de fundo da pesquisa apresentada – a questão racial – está estreitamente relacionado com uma das pautas que despontaram com vigor em 2020, especialmente a partir do movimento Black Lives Matter, que teve expressiva atuação nos Estados Unidos, após o assassinato de George Floyd, em 25 de maio, e que ecoou pelo mundo, sendo retomada em vários outros momentos em que situações de racismo exigiram reforço ao grito “vidas negras importam!”. No Brasil, outro assassinato, desta vez o de João Alberto Silveira Freitas, no estacionamento de um supermercado da capital gaúcha, em 21 de novembro, véspera do Dia Nacional da Consciência Negra, também foi mote para protestos em inúmeras cidades do país e vem pautando o debate sobre o racismo estrutural e estruturante da nossa sociabilidade, marcada pelo binômio “casa grande e senzala”. O texto de Vargas lança luzes sobre essas dimensões.

Na sequência, temos um grupo de contribuições taxadas no terreno do jornalismo. O instante indecisivo na fotografia noticiosa: dilatando as temporalidades do acontecimento visual, de Greice Schneider, lança provocações ao revisitar o clássico conceito de Cartier-Bresson – o “instante decisivo” – e as noções igualmente clássicas de noticiablidade, para pensar as possibilidades de registro das situações cotidianas corriqueiras em trabalhos fotojornalísticos. Códigos editoriais e deontologia do jornalismo público no Brasil, de Danilo Rothberg e Daniele Ferreira Seridório, oferece análise comparativa dos parâmetros que regem a produção jornalística em duas emissoras televisivas de natureza pública – a TV Cultura e a TV Brasil –, sinalizando aproximações e diferenças entre ambas e delas em relação a modelos estrangeiros de jornalismo público. Em Tipos ideais: uma exploração do método weberiano para aplicação nos estudos do jornalismo, Virginia Pradelina da Silveira Fonseca, Taís Seibt, Ana Paula Lückman, Vívian Augusstin Eichler e Lívia Guilhermano retomam a tradição teórica de Max Weber para propor categorias de análise jornalística, levando em conta rotinas de produção com características industriais e pós-industriais. Por fim, nesse agrupamento, nuances de socialismo e estreitamento no espectro de vozes: uma análise das fontes e dos canais de informação do caso Marielle Franco nos jornais Folha de S.Paulo e El País, de Marcos Paulo da Silva e Ana Karla Flores Gimenes, analisa as fontes consultadas por repórteres de dois grandes jornais na cobertura e nos desdobramentos da morte da veradora carioca Marielle Franco, ocorrida em 14 de março de 2018 e até hoje um caso policial sem solução.

Posteriormente, as abordagens encontram interface nas representações midiáticas, no consumo e na publicidade. O peso e a mídia: a gordofobia a partir das imagens midiáticas, de Agnes de Sousa Arruda e Jorge Miklos, denuncia a maneira como a mulher gorda é tratada pela mídia e as imposições sociais que o reforço dos estereótipos a ela relacionados lhe impõe. Em O enorme rádio. A vida cotidiana e a publicidade num conto de John Cheever, João Luis Anzanello Carrascoza estabelece paralelos entre uma história fictícia e os parâmetros que orientam a publicidade e as dinâmicas do consumo. Já O consumo no Brasil profundo: a realidade do consumo e as práticas midiáticas de jovens do interior sergipano, de Vitor Braga, Matheus Pereira Felizola e Jane Aparecida Marques, apresenta resultado de investigação que buscou mapear que tipo de cultura – e a partir de que mediações – consomem jovens de 18 a 24 na microrregião de Propriá, no leste de Sergipe. E no último artigo, A intangibilidade e a materialidade das experiências de consumo de marca, Dôuglas Aparecido Ferreira e Ivone de Lourdes Oliveira analisam o desempenho de um projeto de incentivo à leitura criado por uma instituição bancária, relacionando-o ao valor atribuído à marca do banco.

Este número de LÍBERO é finalizado com duas resenhas. A primeira, assinada por Danilo Fantinel, discute o legado metodológico do livro Lire les images de cinéma, de Laurent Julier e Michel Marie, publicado originalmente em 2007, na França, e que já ganhou segunda edição francesa e uma outra em português. A segunda resenha, elaborada por Vanessa Neme Spirandeo, destaca as contribuições oferecidas por Eugênio Bucci, no livro Existe democracia sem verdade factual?, às reflexões acerca de um dos assuntos mais acalorados do momento: o fenômeno da desinformação.

Para encerrar, registramos nosso agradecimento à Monique Sampaio, que respondeu pela monitoria do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero ao longo de 2020, tendo sido responsável por dar apoio à produção editorial de LÍBERO, principalmente na condução do trabalho de diagramação; e, igualmente, aos 60 pareceristas – todos eles doutores, atuantes em diversas instituições brasileiras e listados abaixo – que dedicaram seu tempo a avaliar os artigos recebidos para as duas edições deste ano.