Jornalismo, incerteza e complementaridade de opostos: um diálogo compreensivo

Autora: Carolina Moura Klautau de Araújo Figueiredo
Tipo de produção: Produção científica
Classificação: Dissertação/Tese
Data: 13/09/2018

Resumo

Esta pesquisa busca uma reflexão de tipo epistemológica sobre a contribuição das noções de incerteza e de complementaridade dos opostos para uma prática jornalística na contemporaneidade que seja menos redutora, fragmentada, explicativa e determinista; dito de outra forma, que seja mais complexa e compreensiva. Para isso, vamos recuperar os princípios da dialogia, polifonia, polissemia, multiperspectividade e afeto, que já foram trabalhados por autores e autoras preocupados e preocupadas com a prática jornalística, e somar a eles os outros dois mencionados anteriormente. Incerteza e complementaridade dos opostos ficaram em evidência na Ciência no início do século XX, por conta das recentes descobertas da Física Moderna, mas, na verdade, ambos acompanham a aventura humana pelo universo há milhares de anos, sendo trabalhados, de formas diferentes, pela arte, filosofia, mitologia, psicologia e religião. Por isso, quando pretendemos pensar a contribuição de ambos para a prática jornalística, precisamos fazer uma grande roda de conversas entre essas diferentes formas de conhecimento do mundo e, a partir daí, refletir sobre os significados e as possibilidades de dialogar com a incerteza e da complementaridade dos opostos. A atitude de unir, do mesmo lado, física e mitologia, religião e psicologia, por exemplo, está na base daquilo que tangencia todos os princípios e noções sobre os quais falamos até agora: a compreensão. Esta também é o nosso caminho de pesquisa, ou nossa metodologia, por propor o diálogo entre diferentes tipos de conhecimentos, teorias, autores e autoras e ter, em sua base, a visão de mundo com a qual trabalhamos nesta pesquisa: a da complexidade. Num outro momento, o do estudo empírico, apresentamos quatro produtos jornalísticos, de jornalistas brasileiros e brasileiras, publicados entre 2017 e 2018 que entendemos dialogar com a incerteza e/ou com a complementaridade dos opostos. Apostamos na reportagem, que compõem esses produtos jornalísticos, como possibilidades que repórteres têm de fugir das fôrmas engessadas dos manuais de redação (inspirados pela ciência moderna e pelo positivismo), que pedem objetividade, lead, neutralidade e informações priorizadas de acordo com as regras da pirâmide invertida. Com esta pesquisa pudemos perceber que a incerteza e a complementaridade dos opostos, quando percebidas e valorizadas na reportagem, deixam a narrativa mais complexa e realizam mais um esforço de compreensão do que de explicação do mundo. Essas duas noções estão relacionadas, de perto, com a busca de jornalistas por vozes e sentidos múltiplos, o que é uma possibilidade ainda maior quando se estabelece uma relação dialógica diante dos seres humanos narrados e/ou entrevistados e quando jornalistas estão afetos às histórias que vão contar. Entendemos, também, que narrativas sob o signo da compreensão, que levam em consideração a incerteza e a complementaridade dos opostos, quando realizadas – e são realizadas, como pudemos constatar – são valorizadas tanto pelo público quanto pelo veículo de imprensa que produziu ou publicou essas narrativas. Para nos conduzir por essa jornada, buscamos, fundamentalmente, as ideias de Boaventura de Sousa Santos, Carl Gustav Jung, Cremilda Medina, Dimas Künsch, Edgar Morin, Edvaldo Pereira Lima, Fritjof Capra, Marcelo Gleiser e Raúl Osório Vargas.

Palavras-chave: Comunicação. Compreensão como Método. Epistemologia do Jornalismo. Incerteza. Complementaridade dos Opostos.