Na semana em que celebramos o Dia do Jornalista, somos convidados a revisitar uma pergunta essencial: o que faz um jornalista de excelência?
A resposta, embora pareça simples, carrega uma densidade que atravessa formação, técnica e, sobretudo, responsabilidade social. Um jornalista de excelência é aquele que comunica – mas não apenas informa – enquanto profissional da comunicação, ele comunica com sentido. Isso quer dizer, ele se comunica com o outro, que não é ele, e com um outro, que é diferente dele. Mas ainda assim, faz isso com sentido. Ele o faz, pois comunica para a construção de memória, para a qualificação do debate público e para o fortalecimento da vida democrática.
É nesse ponto que a formação do estudante se encontra com a missão, por excelência, do jornalista.
Neste mês, essa travessia ganhou forma concreta em uma conquista que nos enche de orgulho. O documentário de Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo, intitulado “Entre aulas e barricadas: as ocupações das escolas na cidade de São Paulo”, foi vencedor do prêmio nacional da Jeduca. O reconhecimento foi concedido aos alunos Enzo Damo, Diogo Campiteli, Felipe Rabioglio e Tiago Loiola.
Mais do que um prêmio, trata-se de um marco formativo e institucional.
O documentário resgata um momento histórico da educação brasileira: as ocupações das escolas públicas em resposta à reorganização escolar promovida pelo governo do estado. Ao fazê-lo, não apenas registra-se um fato — preserva-se a memória de uma geração que se mobilizou em defesa de um dos pilares mais fundamentais de uma sociedade justa: a escola pública.
E aqui está o ponto central: a memória não é apenas passado. Ela é construção. Ela é responsabilidade social.
Ao eleger esse tema, os estudantes demonstraram que compreenderam algo essencial sobre o jornalismo: sua função não é apenas narrar o presente, mas também garantir que aquilo que importa não se perca. Memória, verdade e justiça não são conceitos abstratos — são fundamentos de uma prática jornalística comprometida com a sociedade.
Essa conquista também expressa, de forma concreta, os princípios que orientam nossa instituição.
Princípios patrióticos, na medida em que reconhecem a educação como uma questão nacional, estratégica para a grandeza do país.
Princípios culturais, ao reafirmar o valor das humanidades e do jornalismo como campos fundamentais para a formação crítica.
E princípios jornalísticos, ao contribuir para o fortalecimento e o prestígio dos meios de comunicação por meio de uma produção rigorosa e socialmente relevante.
A formação de um jornalista, portanto, não se dá apenas no domínio da técnica — embora ela seja indispensável. Ela se realiza na articulação entre técnica e pensamento crítico, entre apuração e sensibilidade, entre linguagem e responsabilidade.
Ser jornalista é, antes de tudo, saber que toda comunicação é um encontro. E que, nesse encontro, está em jogo a forma como uma sociedade se compreende, se recorda e projeta o seu futuro.
Na semana do Dia do Jornalista, celebrar essa conquista é também reafirmar um compromisso: formar profissionais capazes de comunicar com profundidade, responsabilidade e sentido.
Porque, entre o estudante e o jornalista, existe um caminho. E esse caminho é construído, todos os dias, pelo poder de comunicar.
Como orientadora do trabalho, tive a oportunidade de acompanhar esse processo, o que torna essa conquista ainda mais significativa. Mais do que conduzir uma etapa acadêmica, a orientação, nesse contexto, se revela como espaço de formação intelectual, ética, estética — onde o rigor metodológico encontra a escuta, e onde o olhar jornalístico é continuamente tensionado a ir além do evidente.
Em nome da comunidade casperiana, felicito os estudantes por esse 1°lugar na 7° edição do Edital de Jornalismo de Educação, projeto da Jeduca em parceria com a Fundação Itaú, e deixo meu agradecimento especial as professoras Camila Pinheiro e Michelle Prazeres que compuseram a banca examinadora na ocasião da defesa desse trabalho.
Profa. Dra. Eloísa Benvenutti de Andrade, filósofa, orientadora do projeto “Entre aulas e barricadas: as ocupações das escolas públicas em São Paulo”. Docente de Filosofia e Comunicação da Faculdade Cásper Líbero.
Assista ao documentário completo aqui.
Foto: À esquerda, Michelle Prazeres, professora e pesquisadora, ao centro, Eloísa Benvenutti, professora e filósofa, e à direita, Camila Pinheiro, professora, junto aos alunos Tiago Loiola, Felipe Rabioglio, Diogo Campiteli e Enzo Damo, vencedores do 7º Prêmio Jeduca. Crédito: Divulgação