A arte da subjetividade

Por: Bruno Gioia

A cineasta Agnès Varda finaliza sua longa carreira no mundo do cinema com um filme-testamento em que proporciona ao espectador uma rara experiência de fruição estética. No filme Varda por Agnès, a cineasta relembra sua trajetória, procurando “ensinar” ao espectador algumas técnicas de filmagem como enquadramento, cor, sonoplastia. Ao estilo de um making off, a obra se propõe a dar sentido a coisas simples, nas quais a maioria das pessoas não consegue reparar.

Um dos elementos apresentados no documentário e que explica muito bem a poética da artista é a batata em forma de coração, rodeada de outras batatas “normais”, que ela encontrou enquanto gravava um documentário sobre catadores de lixo. A simples batata em formato de coração representa a diferença, a vida que ninguém vê, a própria noção de subjetividade, enfim.