A arte do riso

Por: Bruno Cirillo

O primeiro aplauso acontece na apresentação do terceiro humorista, quando ele derruba sem querer o stand do espetáculo: Terça nada azeda, o novo sucesso do stand up comedy paulistano, no bairro do Limão. Mas os risos já haviam contagiado a plateia. No esquete inicial, o comediante optou pela metalinguagem, zombando da própria situação, ou seja, por que diabos as pessoas se reúnem numa terça-feira – a noite menos frequentada do Siri Beer – para assistir a um espetáculo de comédia? Funciona. Todos riem, do ator e de si mesmos, ao constatar que o hilário é, mais do que um desejo, o próprio meio de chegar lá. Se falta graça a uma atração, a tentativa é compensada pela seguinte — no total, nove humoristas revezam-se no palco. É fato que piadas ruins soam pior do que tragédias, mas o fator de risco deve ser levado em conta na avaliação do espetáculo. Em muitos momentos, os clientes se fartam de rir. Em outros, nem tanto, o que pode ser constrangedor.

O quarto humorista, com simplicidade, reconquista o público e mantém o fôlego do show recitando uma série de trocadilhos originais., Homossexualidade, drogas e outros assuntos polêmicos fazem parte do cardápio. Temas espinhosos parecem ser tratados de modo mais adequado pelo humor, provando que a comédia, irmã da tragédia grega, é coisa séria. O fator mais importante é o ritmo das piadas. Os comediantes que o dominam entram em cena com mais chances de atingir seu objetivo. “Acho que perdi o timing”, diz um deles, em determinado momento.

Mas é só uma piada — no instante certo, portanto, engraçada.