Não é o punk que morreu

Por: Alexandre Caetano

Para divulgar a turnê da banda Dead Kennedys pelo Brasil, o ilustrador Cristiano Suarez criou um cartaz condizente com a ideologia punk e com o histórico do grupo. A sátira política que ataca um símbolo opressor faz refererência  aos eleitores de Jair Bolsonaro, representados como palhaços.

Diante da polêmica criada com defensores do presidente, os músicos decidiram cancelar as apresentações no país, alegando preocupação com a segurança. Desde os anos 1970, as bandas punks têm a polêmica como essência. A ideologia pode se manter a mesma, mas os artistas envelhecem.

A Dead Kennedys acabou em 1986. Retomou a atividade em 2001 sem Jello Biaffra, alma da banda, e desde então vive do passado. Não é surpreendente que os atuais sessentões já não tenham o ímpeto anarquista do início e não queiram se envolver em brigas políticas que talvez mal conheçam.

O erro da banda foi tentar manter a isenção, alegando que o cartaz não havia sido previamente aprovado e prometendo ainda destinar parte do cachê antecipado para uma instituição de caridade. O prejuízo final ficou com a produtora EV7 Live, que vai devolver o dinheiro dos ingressos já vendidos.

Muitos criticaram o ilustrador, outros tantos  criticaram a banda e pouco se falou do conteúdo criminoso das ameaças virtuais, feitas por quem vem ganhando espaço e conquistando objetivos. O pequeno número  de haters saiu vitorioso diante da grande quantidade de fãs.

Obs.: Muito boa esta nota também!