O tempo é como um rio

Por: Bruno Cirillo

Agnès Varda é um rio transparente. Suas ideias transcorrem de maneira perene, como se fossem autônomas. Durante uma hora e meia, como se fosse uma palestra num teatro de Paris, ela se esbalda em explicar o seu cinema. Cinema metalinguístico. Cinema de reflexão. O trabalho de Varda consiste em repensar a própria atividade cinematográfica. O que é cinema? Para que serve? Como se faz? A plateia de estudantes observa, absorta, o fluido discurso da cineasta, expoente da Nouvelle Vague que passou por todos os temas essenciais da época: o feminismo, inclusive, que marcou sua obra como o da maior parte dos artistas franceses dos anos 1960 e 1970, entre outras questões. Boa parte da produção da artista está relacionada a temas filosóficos, como a morte, o que decerto combina com seu estilo fleumático. Talvez a fruição dos filmes de Varda seja a característica que melhor a define enquanto cineasta. Uma obra e um discurso semelhantes às corredeiras de um rio.