O virtual (não) influencia o real

Por: Gabriel Oliveira

Na sociedade conectada em rede de hoje em dia, o real e o virtual confundem-se. Diz o sociólogo Manuel Castells que toda realidade é percebida de maneira virtual, mas que a virtualidade real nasce quando a realidade é imersa em uma composição de imagens virtuais que a transforma na própria experiência do indivíduo. É o que se vê em Striking vipers, o primeiro episódio da quinta temporada de série Black mirror, disponível na Netflix. Ao assumirem os avatares de personagens (uma mulher e um homem) em um jogo de luta de videogame, dois amigos são transportados para uma experiência de realidade virtual absoluta e passam a se relacionar sexualmente dentro daquele ambiente digital.

Questões como vício, traição, homossexualidade e os limites do real são apresentadas, sem serem esmiuçadas. Ficam para a reflexão do espectador, que assiste à manutenção da vivência de virtualidade real como solução para o conflito conjugal suscitado pelo envolvimento amoroso online. A discussão que leva a esse desenlace não é retratada, dando a ideia superficial de que o virtual é dissociável da realidade, contrapondo-se justamente ao que o episódio parece querer mostrar: que a tecnologia tem o poder de influenciar relações, comportamentos e sentimentos humanos.