Uma despretensiosa despedida

Por: Laís Pacheco

Se o espectador de Varda por Agnès alimentar a expectativa de assistir a mais um documentário comum e previsível, tal perspectiva será rapidamente modificada já nos primeiros minutos do filme. Como se estivesse desempenhando o papel de uma professora, a própria protagonista da obra nos conta sua trajetória no cinema em particular e sua relação com a arte de modo geral.

 Agnès Varda transporta o público para o mundo com o qual ela lidou sempre com maestria, mostrando detalhes da produção de seus clássicos e revelando cenas e particularidades de bastidores. Inicialmente a narração segue um ritmo cronológico, mas a partir de determinado momento a diretora leva o espectador a se sentir meio à deriva – o que poderia se tornar cansativo, não estivesse Agnès preocupada em propor novos modos de fruição do tempo. A forma como a protagonista narra sua história é intrigante, pois diversas vezes somos levados a pensar se ela está de fato falando consigo mesma ou atuando.

Há um claro tom de despedida na obra, que no entanto extrapola os limites de um simples adeus. Quem um dia pensou que Agnès Varda fosse somente uma renomada diretora de cinema certamente irá se surpreender com a facilidade com a qual ela transita por vários âmbitos artísticos.