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Desde seu lançamento nos cinemas, “O Agente Secreto” assumiu um papel protagonista na indústria cinematográfica, incluindo indicações e vitórias em grandes premiações mundo afora. Após o grande destaque que “Ainda Estou Aqui” conquistou no ano anterior, o cinema brasileiro nunca esteve tão bem representado e visibilizado no mercado internacional. Mas, essas vitórias não chegaram com pouco esforço.

O Brasil faz parte do mercado cinematográfico desde o final do século XIX, quando o filme “Chegada do Trem em Petrópolis” realizou suas primeiras filmagens, mas apenas ganhou destaque internacional com “O Cangaceiro”, em 1953. A determinação para expandir esse universo no país existe até hoje, com criadores desafiando as normas da indústria cinematográfica ao abordar mais sobre a realidade dos brasileiros.

No mercado de Hollywood, os filmes brasileiros têm conquistado cada vez mais espaço desde a primeira indicação do Brasil ao Oscar, com “O Pagador de Promessas”, presente na categoria de ‘Melhor Filme Internacional’, em 1963.

Um pilar importante para a atuação brasileira foi a grande aclamação de Fernanda Montenegro por “Central do Brasil”, em 1999. Seu trabalho não apenas rendeu uma indicação na categoria de ‘Melhor Atriz’ do Oscar, mas também a consagrou como a primeira atriz brasileira a conquistar esse feito.

Os anos 2000 têm sido promissores para o cinema brasileiro. Em 2004, “Cidade de Deus” conquistou quatro indicações por sua direção, fotografia, roteiro e edição. Mas, foi apenas em 2025 que o Brasil vivenciou seu momento de protagonismo no mercado internacional, com a tão aguardada vitória de “Ainda Estou Aqui”, na categoria de ‘Melhor Filme Internacional’ da premiação.

O crítico de cinema Cassio Starling, que ministra o Curso de Curta Duração sobre Crítica de Cinema e Série, explica que a comunicabilidade é um fator essencial para que filmes brasileiros ganhem mais visibilidade no mercado internacional, e o marketing é uma ferramenta poderosa para que projetos ultrapassem nações:

“Como nós começamos a conhecer ‘O Agente Secreto’? No festival de Cannes. E ali, ele tem um tapete vermelho, coletiva, e se tudo der certo, ele tem a premiação. (…) O filme tem uma circulação no festival bem sucedida, e já sai comprado pela NEON. Ou seja, com o investimento, ele deixa de ser um filme pequeno brasileiro da Vitrine Filmes, e passa a ser um filme global.”, cita o crítico.

O crítico também enfatiza que o prestígio dos filmes em premiações, como o caso de “O Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui”, se tornam materiais de venda para atuais e futuros projetos dos profissionais envolvidos: “Mesmo que ele não ganhe, o próximo filme do Kleber (Filho Mendonça) vai vir como ‘indicado (ao Oscar)’, o próximo trabalho do Wagner (Moura) no cinema brasileiro ou americano vai vir com ‘indicado’. Ou seja, tudo isso ajuda a vender e revender.”.

Sobre o aumento de interesse por filmes brasileiros no mercado internacional, Cássio explica que a cultura do país é uma característica notável que convence audiências a assistirem mais lançamentos: “Nós temos um cinema rico, uma cultura que gera muito interesse no mundo afora, por que ela é muito mestiça, musical, alegre, e ela é, de fato, sofisticada. (…) O consumo cultural precisa se renovar, então ele busca novidade.”.

Mesmo com o Brasil se encontrando no holofote da indústria cinematográfica, os desafios para conquistar maior circulação e visibilidade dentro e fora do mercado para futuros projetos ainda persistem. Starling reforça que é necessário continuar investindo em produções brasileiras enquanto “O Agente Secreto” captura a atenção de novas audiências:

“A gente tem um vento a favor. Se a gente parar de investir, o barco muda de direção, a gente perde a onda. Então, é daqui para a frente, aumentar. (…) Isso reverbera nos produtos que não tem visibilidade, por que ela vai se tornar objeto de um interesse no futuro.”, finaliza o crítico.

É essencial que os próprios brasileiros continuem a apoiar produções brasileiras, não apenas para que tenham reconhecimento em grandes premiações internacionais, mas também para que futuros filmes tenham o espaço e oportunidade de compartilhar novas histórias que desafiem barreiras estabelecidas através das décadas.

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