Campesíndios

Por: Roberto Mancuzo Junior

Revista Comtempo

Revista Eletrônica da Pós-Graduação da Cásper Líbero – ISSN 2176-6231
Volume 8, nº 1 – jan./abr. 2016

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Foto: Roberto Mancuzo Junior

 

Durante séculos a principal atividade de camponeses e indígenas da América Latina tem sido uma só: resistir. As marcas da exploração acumulam-se nos rostos, nas peles e mentes e não desaparecem porque se acumulam em progressão geométrica diante da divisão social do trabalho e da falta de reconhecimento humano.

Alguém diria então: “Quando vão acabar?”. A esperança responde que embora fisicamente conquistados, seguem na fé do passo mantido porque os conquistadores podem levar tudo, menos sua cultura, sua língua, a religião e os costumes. Este modo de vida permanece e enquanto assim for, restará o que ainda será.

Estas imagens, produzidas a partir de pesquisas de campo realizadas em países da América Latina, fazem parte do projeto fotodocumental de pesquisa “Fotografia crítica dos povos camponeses e indígenas da América Latina”, com amparo teórico na tese “O Sistema Ideológico do Agronegócio: O poder do discurso e o discurso pelo poder”. Tanto fotografias como tese são de autoria do jornalista Roberto Mancuzo Junior, Doutor em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Mestre em Comunicação Visual pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e professor da Faculdade de Comunicação Social de Presidente Prudente (Facopp), da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).

A partir da realização de um trabalho iconológico e iconográfico, com foco nos camponeses e indígenas e nos modos próprios de produção, trabalho, exploração e emancipação dos povos, espera-se que a fotografia documental de cunho social, político e cultural, por força da intencionalidade que lhe é inerente, seja atestada como uma legítima comunicação alternativa e popular que qualifique o debate da questão agrária atual.

Os povos latinos não são exóticos, folclóricos e muito menos estão derrotados. São, antes de mais nada, sujeitos sociais que atuam territorialmente no espaço. Assim também são capazes de produzir e fazer o seu caminho por não suportarem e se conformarem com uma realidade imposta.

Roberto Mancuzo Junior é doutor pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Professor na Universidade do Oeste Paulista e na Faculdade de Comunicação Social de Presidente Prudente.