À (in)felicidade dos sapateiros

Por: Por José Adorno, aluno do 1º ano de jornalismo

Há quarenta anos, Gay Talese lançava o livro que o tornaria patrono de todo um novo fazer jornalístico.

 

Crédito: Reprodução

 

Fama e Anonimato é o livro de Gay Talese, lançado em 1973 e reimpresso em 2004 pela Cia. das Letras, no qual o autor inaugurou o estilo do qual é patrono até hoje: o “novo jornalismo” ou “jornalismo literário”.
O livro é divido em três partes: a primeira parte é sobre Nova York, onde o autor conta fatos que podem ser noticiados de forma literária – sendo este o princípio básico do novo jornalismo.
“Nova York é uma cidade para excêntricos e uma central de pequenas curiosidades (…) Todos os dias nova-iorquinos enxugam 1,74 milhão de litros de cerveja, devoram 1,5 mil toneladas de carne e passam 34 quilômetros de fio dental entre os dentes”. Para Talese descobrir estas informações, assim como as demais que se encontram na obra, o jornalista teve que “sujar os sapatos”: ou seja, ir atrás de pessoas, empresas que possuíam dados, consultar material e, principalmente, andar muito.
Humberto Werneck, no posfácio do livro, afirma com pesar que “repórter que sai à rua” virou ironia, pois cada vez mais os jornalistas utilizam da internet como fonte única de informação e fazem matérias inteiras sem respirar outro ar se não o condicionado das redações.
Fama e Anonimato quebra a estética do jornalismo seco, sendo, no livro, comparado a uma pílula de astronauta. Talese mostra que as matérias jornalísticas podem ser mais atraentes sendo literárias sem deixar de lado toda a veracidade da história.
 
Na segunda parte do livro, o autor cria uma linha condutora das histórias através dos “boomers” que são, grosso modo, os pedreiros das construções de prédios e pontes que viajam por todos os Estados Unidos e, se necessário, até outros países atrás de novas construções.
 
Na parte final da obra, há um perfil de Frank Sinatra, chamado Frank Sinatra está resfriado, talvez o mais conhecido de Talese. O jornalista, sem dirigir palavra alguma ao cantor, consegue fazer um perfil rico e detalhado sobre ele; tudo por andar na cola de Sinatra, falar com as pessoas que o músico fala e prestar atenção no que ele fazia.
 
O livro é essencial para qualquer jornalista que pretende fazer jornalismo com mais do que o google, ou, como diz o autor: “sujar os sapatos”. Fama e Anonimato também é para ser lido por qualquer um que queira saber algum fato sem se prender somente ao básico e que possui prazer em ler histórias de famosos e anônimos da América do Norte ou de estrangeiros que estiveram a morar lá no período próximo a 60. 
 
Sobre famosos nem sempre há muito para se descobrir, no entanto, ao falar com pessoas socialmente anônimas, as histórias que existem são inúmeras e todas delatam o contexto social da época sem de fato tratar dele. As melhores histórias se encontram com as pessoas que parecem não ter nada a dizer, como as senhoras que iriam ter suas casas destruídas para construção de alguma ponte ou um índio metalúrgico que viaja trezentos quilômetros bêbado e de madrugada para ver a família depois de uma semana de trabalho
Para se descobrir todas essas coisas, é necessário sujar os sapatos, pela felicidade dos engraxates e sapateiros – ou, considerando a nova geração de jornalistas de sapatos limpos, para a infelicidade deles.

Fama e Anonimato é o livro de Gay Talese, lançado em 1973 e reimpresso em 2004 pela Cia. das Letras, no qual o autor inaugurou o estilo do qual é patrono até hoje: o “novo jornalismo” ou “jornalismo literário”.

O livro é divido em três partes: a primeira parte é sobre Nova Iorque, onde o autor conta fatos que podem ser noticiados de forma literária – sendo este o princípio básico do novo jornalismo.

“Nova Iorque é uma cidade para excêntricos e uma central de pequenas curiosidades (…) Todos os dias nova-iorquinos enxugam 1,74 milhão de litros de cerveja, devoram 1,5 mil toneladas de carne e passam 34 quilômetros de fio dental entre os dentes”. Para Talese descobrir estas informações, assim como as demais que se encontram na obra, o jornalista teve que “sujar os sapatos”: ou seja, ir atrás de pessoas, empresas que possuíam dados, consultar material e, principalmente, andar muito.

Humberto Werneck, no posfácio do livro, afirma com pesar que “repórter que sai à rua” virou ironia, pois cada vez mais os jornalistas utilizam da internet como fonte única de informação e fazem matérias inteiras sem respirar outro ar se não o condicionado das redações.

Fama e Anonimato quebra a estética do jornalismo seco, sendo, no livro, comparado a uma pílula de astronauta. Talese mostra que as matérias jornalísticas podem ser mais atraentes sendo literárias sem deixar de lado toda a veracidade da história.

Na segunda parte do livro, o autor cria uma linha condutora das histórias através dos “boomers” que são, grosso modo, os pedreiros das construções de prédios e pontes que viajam por todos os Estados Unidos e, se necessário, até outros países atrás de novas construções.

Na parte final da obra, há um perfil de Frank Sinatra, chamado Frank Sinatra está resfriado, talvez o mais conhecido de Talese. O jornalista, sem dirigir palavra alguma ao cantor, consegue fazer um perfil rico e detalhado sobre ele; tudo por andar na cola de Sinatra, falar com as pessoas que o músico fala e prestar atenção no que ele fazia.

O livro é essencial para qualquer jornalista que pretende fazer jornalismo com mais do que o google, ou, como diz o autor: “sujar os sapatos”. Fama e Anonimato também é para ser lido por qualquer um que queira saber algum fato sem se prender somente ao básico e que possui prazer em ler histórias de famosos e anônimos da América do Norte ou de estrangeiros que estiveram a morar lá no período próximo a 60. 

Sobre famosos nem sempre há muito para se descobrir, no entanto, ao falar com pessoas socialmente anônimas, as histórias que existem são inúmeras e todas delatam o contexto social da época sem de fato tratar dele. As melhores histórias se encontram com as pessoas que parecem não ter nada a dizer, como as senhoras que iriam ter suas casas destruídas para construção de alguma ponte ou um índio metalúrgico que viaja trezentos quilômetros bêbado e de madrugada para ver a família depois de uma semana de trabalho

Para se descobrir todas essas coisas, é necessário sujar os sapatos, pela felicidade dos engraxates e sapateiros – ou, considerando a nova geração de jornalistas de sapatos limpos, para a infelicidade deles.