Cai o pano

Por: Por Roberto Fideli, aluno do 4º ano de jornalismo

Morreu, na manhã da segunda-feira, 23 de junho, o autor Richard Matheson, uma das figuras mais influentes da ficção científica nos últimos 50 anos

Matheson em 2008
Crédito: divulgação

 

Não parece preciso chamar a bibliografia de Richard Matheson de “altamente cinematográfica”, mas é difícil imaginar um autor que tenha sido mais adaptado para o cinema nos últimos 50 anos, além de, talvez, Phillip K. Dick. Os dois não podiam ser mais diferentes, entretanto. A paranoia do segundo e sua fixação pela busca da identidade pessoal e social contrapõem o humanismo apresentado pelo primeiro desde o início de sua carreira.

Matheson nasceu em Allendale, Nova Jérsei, em 1926 e trabalhou não apenas como romancista do gênero fantástico, como também roteirista. Sua inserção em Hollywood se deu em 1956, quando adaptou seu romance no que provavelmente veio a se tornar o maior filme de ficção científica de todos os tempos, O Incrível Homem Que Encolheu.
Ele em seguida trabalhou em vários episódios de Além da Imaginação, incluindo o assustador e hilário Pesadelo a Vinte Mil Pés, em 1983 – uma história na qual o passageiro de um avião observa atônito enquanto um alienígena come a turbina da aeronave e ninguém acredita nele. Houve também o belo Inimigo Íntimo, escrito em 1966 para a série Star Trek, em que o capitão da Enterprise, James T. Kirk, tem sua personalidade dividida em dois pólos distintos que ameaçam a sobrevivência de toda a tripulação.
Humano, cínico e místico, o estilo de Matheson permeou uma infinidade de filmes desde a década de 50. Em 1973 ele adaptou seu romance Hell House no filme A Casa da Noite Eterna. Em cada plataforma (livro e filme), essa história se destaca como uma das mais assustadoras já escritas.
Matheson foi responsável por alguns dos maiores clássicos do cinema contemporâneo. Encurralado, primeiro filme da carreira de Steven Spielberg, no longínquo ano de 1971, conta a história de um homem que tem um combate mortal com um misterioso e enfurecido motorista de um caminhão que fica perseguindo-o por uma estrada. O filme era para TV, mas ficou tão bom que foi lançado no cinema.
Um de seus trabalhos mais conhecidos, no entanto, é Eu Sou a Lenda. Foi seu terceiro romance. Ele viria a ganhar destaque internacional quando Will Smith fez uma parceria com o diretor Frances Lawrence e adaptou o romance em 2007. A performance de Smith foi muito elogiada, mas o passa longe da qualidade do livro. Em 2009, seu conto Button Button foi adaptado no sobrenatural e bizarro – mas não menos envolvente – A Caixa, do diretor Richard Kelly.
Em Amor Além da Vida, acompanhamos um homem que, após a morte, precisa resgatar sua esposa que cometeu suicídio. É uma história espiritual e melancólica, que difere muito dos outros trabalhos do autor. Ela também ganhou uma adaptação cinematográfica, estrelando Robin Williams e Cuba Gooding Jr. em 1998.
O autor, que faleceu aos 87 anos depois de ficar doente por muito tempo, influenciou uma geração de cineastas e autores que fizeram sucesso dentro do cinema e a literatura fantásticas. Isso inclui o próprio Steven Spielberg e também Stephen King, um dos autores contemporâneos mais consagrados dos últimos anos, afirmou que Matheson era um de seus autores preferidos.
Matheson teve uma longa e completa carreira. Morreu velhinho, tendo conquistado inúmeros prêmios, escrito em diversos gêneros – incluindo não-ficção – e inspirado uma infinidade autores depois dele. Seu texto místico e humanista valorizava o que há de melhor nas criaturas, mesmo em condições sombrias.
O monólogo final de O Incrível Homem Que Encolheu é uma das coisas mais belas já filmadas, mas é longo demais para ser transcrito por completo. Vale, no entanto, roubar algumas palavras. “O que eu era?”, pergunta o herói do filme. “Ainda um ser humano? Ou eu era o homem do futuro?”. Em uma época em que perdemos também Ray Bradbury e Jack Vence, todos no período de um ano, Richard Matheson era a Lenda.

Não parece preciso chamar a bibliografia de Richard Matheson de “altamente cinematográfica”, mas é difícil imaginar um autor que tenha sido mais adaptado para o cinema nos últimos 50 anos, além de, talvez, Phillip K. Dick. Os dois não podiam ser mais diferentes, entretanto. A paranoia do segundo e sua fixação pela busca da identidade pessoal e social contrapõem o humanismo apresentado pelo primeiro desde o início de sua carreira.

Matheson nasceu em Allendale, Nova Jérsei, em 1926 e trabalhou não apenas como romancista do gênero fantástico, como também roteirista. Sua inserção em Hollywood se deu em 1956, quando adaptou seu romance no que provavelmente veio a se tornar o maior filme de ficção científica de todos os tempos, O Incrível Homem Que Encolheu

Ele em seguida trabalhou em vários episódios de Além da Imaginação, incluindo o assustador e hilário Pesadelo a Vinte Mil Pés, em 1983 – uma história na qual o passageiro de um avião observa atônito enquanto um alienígena come a turbina da aeronave e ninguém acredita nele. Houve também o belo Inimigo Íntimo, escrito em 1966 para a série Star Trek, em que o capitão da Enterprise, James T. Kirk, tem sua personalidade dividida em dois pólos distintos que ameaçam a sobrevivência de toda a tripulação.

Humano, cínico e místico, o estilo de Matheson permeou uma infinidade de filmes desde a década de 50. Em 1973 ele adaptou seu romance Hell House no filme A Casa da Noite Eterna. Em cada plataforma (livro e filme), essa história se destaca como uma das mais assustadoras já escritas.

Matheson foi responsável por alguns dos maiores clássicos do cinema contemporâneo. Encurralado, primeiro filme da carreira de Steven Spielberg, no longínquo ano de 1971, conta a história de um homem que tem um combate mortal com um misterioso e enfurecido motorista de um caminhão que fica perseguindo-o por uma estrada. O filme era para TV, mas ficou tão bom que foi lançado no cinema.

Um de seus trabalhos mais conhecidos, no entanto, é Eu Sou a Lenda. Foi seu terceiro romance. Ele viria a ganhar destaque internacional quando Will Smith fez uma parceria com o diretor Frances Lawrence e adaptou o romance em 2007. A performance de Smith foi muito elogiada, mas o passa longe da qualidade do livro. Em 2009, seu conto Button Button foi adaptado no sobrenatural e bizarro – mas não menos envolvente – A Caixa, do diretor Richard Kelly.

Em Amor Além da Vida, acompanhamos um homem que, após a morte, precisa resgatar sua esposa que cometeu suicídio. É uma história espiritual e melancólica, que difere muito dos outros trabalhos do autor. Ela também ganhou uma adaptação cinematográfica, estrelando Robin Williams e Cuba Gooding Jr. em 1998.

O autor, que faleceu aos 87 anos depois de ficar doente por muito tempo, influenciou uma geração de cineastas e autores que fizeram sucesso dentro do cinema e a literatura fantásticas. Isso inclui o próprio Steven Spielberg e também Stephen King, um dos autores contemporâneos mais consagrados dos últimos anos, afirmou que Matheson era um de seus autores preferidos.

Matheson teve uma longa e completa carreira. Morreu velhinho, tendo conquistado inúmeros prêmios, escrito em diversos gêneros – incluindo não-ficção – e inspirado uma infinidade autores depois dele. Seu texto místico e humanista valorizava o que há de melhor nas criaturas, mesmo em condições sombrias.

O monólogo final de O Incrível Homem Que Encolheu é uma das coisas mais belas já filmadas, mas é longo demais para ser transcrito por completo. Vale, no entanto, roubar algumas palavras. “O que eu era?”, pergunta o herói do filme. “Ainda um ser humano? Ou eu era o homem do futuro?”. Em uma época em que perdemos também Ray Bradbury e Jack Vence, todos no período de um ano, Richard Matheson era a Lenda.