Cinco Câmeras Quebradas

Por: Mariana Dib, aluna do 1º ano de jornalismo

Exércitos e a luta de um povo são tema do filme israelense do cineasta Emad Burnat

 

Crédito: Divulgação

A luta de um povo, a truculência de um exército e a triste perda da infância. Em resumo, esses são os principais pontos do curta 5 câmeras quebradas. Filmado em primeira pessoa, e com cinco câmeras, o filme de 94 minutos reúne um relato do avanço de colonos israelitas à aldeia de Bil‘in, em 2005, e a luta do diretor Emad Burnat pelo seu povo e por suas terras.

Emad começou a filmar como forma de proteger o seu povo e acabou tornando-se diretor de um grande filme, que relata a luta dos palestinos para evitar a ocupação de assentamentos israelitas em seu território. A construção de uma barreira que deveria separar os colonos, na verdade cada vez mais se aproxima das terras palestinas.

As câmeras atuam também como fonte de memória para o diretor. Por meio das filmagens, registra o crescimento de seus filhos em meio ao ambiente de guerra, acompanhando a absorção dos fatos até o completo entendimento da realidade ao seu redor.

É impressionante como o diretor consegue captar momentos do confronto entre as tropas israelenses e os militantes palestinos. Em todo o tempo Emad usa de sua liberdade de filmar e da alegação de que não está fazendo nada de errado. Bombas de gás lacrimogêneo e tiros são usados em larga escala para tentar conter manifestações por parte dos palestinos.

O filme mostra a truculência do exército, que não poupa nem mesmo crianças, ao prendê-las como reféns, bem como a contradição dos métodos israelenses para a ocupação das terras palestinas, que chegam a contradizer a própria lei. 

Em certa parte chega a ser cômico ver como os palestinos usam dos métodos israelenses para firmam a legalidade de sua terra. Uma das formas – segundo a lei israelense – de ocupar um lugar é estabelecer um container nele, para que as obras possam prosseguir. 

Após encontrarem o primeiro trailer em suas terras, os palestinos fizeram o mesmo em território do assentamento. A primeira tentativa fracassou. Na segunda, os próprios palestinos se trancaram no container. Mesmo assim, isso não foi capaz de deter o exército, tampouco o avanço das obras. A luta palestina recebeu apoio internacional e até mesmo de alguns ativistas israelenses.

Algo interessante de se ver é a presença brasileira na vida de Emad e sua família. Sua esposa foi criada no Brasil e o símbolo de nosso país aparece ora nas roupas das crianças, ou estampada na porta de casa, bem como nas camisetas dos palestinos ao assistirem a Copa do Mundo, torcendo pelo nosso país.  

O filme nos dá uma noção realista do confronto entre  Israel e Palestina e mostra essa luta de uma forma intimista.  O filme ganhou o prêmio do Sundance Film Festival em 2012, e no mesmo ano foi indicado ao Oscar para concorrer na categoria de Melhor Documentário. No Brasil, fez parte da 8ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, promovida pelo Instituto da Cultura Árabe – ICArabe, Sesc SP e Centro Cultural Banco do Brasil.