Determinação que transpõe barreiras

Por: Amanda Saviano e Andressa Lelli, alunas do 1º ano de jornalismo

Billy Elliot é experiência que marca ao mesclar balé clássico, jazz e sapateado em um espetáculo moderno e envolvente

 

Crédito: Divulgação

Canto, sapateado, balé clássico, jazz e interpretação são apenas algumas experiências que o musical Billy Elliot propiciou àqueles que tiveram o privilégio de assisti-lo durante sua curta temporada em São Paulo, no Credicard Hall. A história do jovem dançarino ganhou notoriedade com o filme de nome homônimo produzido em 2000 e sucesso de bilheteria e crítica.

Dirigido por Stephen Daldry e coreografado por Peter Darling, o musical contou com apenas 20 apresentações, entre os dias 2 e 18 de agosto de 2013.  Um dos componentes mais importantes do espetáculo, a trilha sonora, foi delegado ao cantor e compositor Elton John, que conseguiu captar o espírito da trama, por meio de músicas que emocionam o espectador. Ao som de Angry Dance, Swan Lake e Eletricity, podemos ver Billy em ação. Aliás, o papel de Elliot é alternado entre três atores mirins, que provam que o talento não tem idade.

A Inglaterra de Margaret Thatcher, em crise com a greve dos mineiros, é o plano de fundo da descoberta do amor pela dança do protagonista. Com 11 anos, Billy, que frequentava aulas de boxe motivado pelo pai, passa – sem querer – a comparecer a aulas de balé clássico. Sua professora, Mrs. Wilkinson, se torna uma peça importante para o crescimento de Billy na dança, pois um pai mineiro, que não via um futuro longe das minas para sua família, não compreenderia as motivações do garoto. Foi a professora, aliás, quem incentivou o jovem dançarino a fazer o teste para a Royal Ballet School, uma das escolas de balé de maior expressão mundial e que mudaria o destino de Elliot. 

Com um irmão mais velho rebelde, uma avó doente e um melhor amigo em plena descoberta homossexual, Billy também tem que lidar com seus próprios demônios: a ausência da mãe, que faleceu muito jovem. No musical, nos momentos em que a mãe aparece para Billy em sua imaginação, percebe-se a reação emocionada do público. Este tem de lidar com as oscilações de comédia e drama do espetáculo, que são muito sutis.

Também é demandado do público um conhecimento básico de inglês, já que o musical veio com o elenco original londrino e, por isso, a apresentação é legendada do começo ao fim. Entretanto, aqueles não familiarizados com o idioma tem dificuldade de acompanhar algumas piadas, além da tradução que muitas vezes é errônea ou dessincronizada.  

É impressionante assistir a crianças dançando como verdadeiros adultos, mostrando passos de dança atingidos apenas numa maturidade profissional, como na cena em que o pequeno Billy dança com seu “futuro eu”, um ator que interpreta Billy já crescido, num pas de deux ao som de Lago dos Cisnes. Contudo, não há a intensidade emocional transposta para a dança presente no filme de 2000. Há demasiada técnica e falta de sentimentos que deveriam estar lá, como a raiva e a dor.  Há mais raiva na música que na dança. 

De qualquer forma, seja em São Paulo, Nova York ou Londres, o musical é imperdível e prende a atenção do público do começo ao fim. A iniciativa de trazer um musical com elenco inteiramente internacional ainda é rara no Brasil, mas o sucesso que Billy Elliot causou na cena cultural paulista é uma prova de que há um grande espaço para essas produções.