Elysium: um paraíso da cor do inferno

Por: Roberto Fideli, aluno do 4º ano de Jornalismo

Pior que Distrito 9, Elysium é uma viagem alucinante com consciência social, mas seus resultados são insatisfatórios

 

Crédito: Reprodução

Em 2006 o diretor sul-africano, Neil Blomkamp filmou um curta-metragem sobre um grupo de refugiados alienígenas cuja nave caiu no nosso planeta, intitulado Ao Vivo de Johanesburgo. Peter Jackson, diretor da trilogia O Senhor dos Anéis, viu o trabalho e deu ao jovem cineasta a oportunidade de trabalhar na adaptação cinematográfica do videogame Halo

O filme não vingou e, como recompensa, Jackson deu a Blomkamp 45 milhões de dólares para fazer o que ele quisesse. O resultado foi o estupendo, violento e surpreendente Distrito 9 de 2009. O filme foi indicado a quatro Oscar, incluindo roteiro adaptado e melhor filme, e foi o candidato mais inusitado da história da premiação. 

Quatro anos depois chegou às telas o tão aguardado novo trabalho do diretor: Elyisium (Elysium, EUA/AFR. 2013). No ano de 2154, a humanidade está dividida entre dois polos: os ricos vivem em uma estação espacial gigantesca, onde não há fome, doenças ou pobreza. O restante de nós vive numa Terra miserável, imunda e superpovoada, onde as fronteiras entre o México e o Sul dos Estados Unidos foram dissolvidas e tudo é um grande aglomerado de pessoas e favelas. 

Max da Costa (Matt Damon) é um ex-ladrão de carros que agora trabalha numa empresa que constrói os robôs que policiam a vida cotidiana de seus cidadãos, às vezes violentamente. Ele sempre teve o sonho de ir para Elysium, em busca de uma vida melhor. A oportunidade, no entanto, não poderia ter vindo em pior momento possível: depois de um acidente na fábrica, Max recebe uma dose letal de radiação e irá morrer em cinco dias a menos que consiga ir para Elysium e se curar. 

O líder revolucionário, Spider (interpretado pelo brasileiro Wagner Moura) oferece a chance de Max ir para Elysium, se este concordar em usar uma armadura e raptar um dos membros da estação espacial, John Carlyle (William Fitchner), e roubar informações confidenciais diretamente de seu cérebro. Max aceita, dando início a uma caçada violenta, onde ele será perseguido pelo sádico e Kruger, extraordinariamente interpretado por Sharlto Copley. 

Elysium é, apesar de todas suas qualidades, mais um caso em que mais orçamento não resulta em um filme melhor. Suas sequências de ação são mais bem elaboradas do que em Distrito 9, e o diretor Neil Blomkamp sabe ocupar o tempo do filme para explorar o mundo distópico que ele mesmo criou. No entanto, suas conclusões sociais são pouco satisfatórias. O filme é o sonho de qualquer liberal: medicamentos para todos. Mas a que custo?

Max, interpretado por Matt Damon, no entanto, é o ponto forte da obra. Sua interpretação traz carisma e humor a um personagem trágico, mesmo quando sua curva de desenvolvimento é pequena. E, apesar de ter considerações finais consideravelmente ingênuas, o filme levanta apontamentos interessantes: quem são aqueles que vivem no verdadeiro inferno? Os imundos cidadãos da Terra, em suas favelas e hospitais hiperlotados, ou os cidadãos de Elysium, em seu mundo silencioso, anticéptico solitário? Quaisquer que sejam as conclusões do espectador, este deve estar preparado para uma viagem alucinante, sem caminho de volta.