O avanço das redes sociais e a necessidade de influenciadores para engajar conteúdos estimulou o surgimento de uma nova categoria de trabalho: os influenciadores mirins. Apresentado pela influenciadora e jornalista formada pela Cásper, Marina Orfali, e com a participação de Carol Chamberlain, atriz e influenciadora digital, Bia Szvat, psicanalista e coordenadora de cenas sensíveis, além da advogada e pesquisadora Sandra Cavalcante, o novo episódio do Central 900 aborda a questão dos direitos de atores e influenciadores mirins.
Como surgiram as iniciativas de proteção ao trabalho artístico infantil?
O trabalho artístico de crianças e adolescentes é reconhecido mundialmente devido à Convenção nº 138 da Organização Internacional do Trabalho. Esta cláusula permite as atividades, desde que respeitem e preservem os direitos previstos para os jovens envolvidos. Contudo, a fiscalização legal surgiu somente após reinvindicações destes trabalhadores, como é o caso da Lei Coogan, para proteção dos bens patrimoniais do jovem artista.
A lei homenageia o ator norte-americano Jackie Coogan, que enfrentou problemas financeiros na vida adulta graças à má gestão financeira de seus responsáveis.
O universo audiovisual brasileiro também apresentou esses dilemas em sua história. Aprovada em março de 2025, a Lei Larissa Manoela prevê a proteção dos bens para atores, esportistas e intelectuais infantis. Contudo, existem ainda outros tipos de abuso, como psicológico e as condições de trabalho precárias, para os quais não existe uma legislação eficiente:
“Houve uma evolução de alguns anos para cá, mas legalmente não houve mudanças. Não há normas escritas que protejam as crianças (…) as coisas mudam por pressão pública e pela internet.”, comentou a advogada Sandra Cavalcante.
A Era da exposição em massa: como cuidar da imagem de crianças no meio digital?
A popularização das redes sociais contribuí para o fenômeno da “fama instantânea”, na qual inúmeras famílias investem na exposição de crianças como fonte de renda. No entanto, a superexposição de imagens e vídeos de menores de idade é responsável por incentivar crimes digitais. Ao redor do mundo, lideranças como as da França e Estados Unidos desenvolveram projetos de leis que responsabilizavam os responsáveis legais pela exposição das crianças, mas também as plataformas de comunicação.
No Brasil, o Projeto de Lei 3161/24 foi criado para proteger crianças e adolescentes de publicidades digitais baseadas na persuasão e manipulação psicológica. O avanço deste tipo de legislação é tido como uma vitória para atores, atletas e influenciadores mirins. No entanto, o enfoque da questão econômica deixa de lado um fator importante: a saúde mental infantil.
O livre acesso às redes digitais facilita a exposição de jovens a comentários negativos, os “hates“, que afetam o psicológico e autoestima destes profissionais. De acordo com a psicanalista Bia Szvat, estar sujeito a receber críticas duras é uma realidade que os jovens apresentam uma dificuldade maior de lidar. Em comparação aos adultos, os jovens são mais afetados psicologicamente, por estarem em formação psíquica e emocional.
“O falar mal sempre acaba tendo um impacto de infelicidade, como se você não pudesse ter sucesso.”, complementou a psicanalista.
Afinal, quem deve proteger os jovens trabalhadores?
Com a intensificação do fenômeno de exposição digital infantil, torna-se indispensável a ação conjunta dos responsáveis legais e dirigentes das redes sociais na proteção da imagem e privacidade de crianças e adolescentes. O novo episódio do Central 900 discute o papel familiar e social que deve ser adotado para que o trabalho de jovens em produções audiovisuais, peças publicitárias e na internet possa ocorrer, garantindo os direitos previstos à estes profissionais.
Confira mais sobre a conversa, assistindo ao episódio completo:
Acontece na Cásper
Ver todas as notícias
Cásper oferece oficinas de comunicação para apoiar estudantes do 3º ano do ensino médio na escolha profissional
CBN exibe reportagem produzida por Casperianos sobre inteligência artificial na música