Punk Rock do The Offspring invade São Paulo

Por: Gilles Sonsino, ex-aluno de Rádio e TV

Banda norte-americana volta a cidade nove anos após a última apresentação individual

 

Crédito: Divulgação

No retorno ao Brasil, The Offspring tocou sucessos da carreira iniciada em 1984.

15 de setembro de 2013 foi um domingo aparentemente comum e monótono, visto aos olhos da maioria da população. Apesar de ser um final de semana marcado pela primeira parte do festival Rock in Rio, a cidade de São Paulo não recebia nenhum evento que chamasse a atenção da grande massa ou mesmo da grande mídia. Mas, aos amantes do Punk Rock e do Hardcore, não. Após nove anos de seu último show individual, The Offspring, diretamente de Orange County/Califórnia (EUA), voltou às terras paulistanas, um dia após a apresentação em solo carioca.

Com capacidade para receber mais de 7.000 convidados, o Credicard Hall foi o ambiente escolhido a receber os californianos e seus fãs. Abrindo os portões às 18h30, era possível ver centenas de pessoas espalhadas no estacionamento e arredores da casa, dividindo-se nas categorias de seus ingressos, nas platéias superiores, pistas e camarote.

Por volta das 20h00, quem subiu ao palco para abrir o set da noite foi o Rancore, banda paulistana formada em 2001, com três álbuns lançados. Ale Iafelice (baterista), Candinho Uba (guitarrista), Caggegi (baixista), Gustavo Teixeira (guitarrista) e Teco Martins (vocalista) fizeram o melhor que puderam frente à multidão.

Brincando e tentando aquecer o público com frases como “ninguém vem em show para assistir banda de abertura” e “bandas de abertura têm o objetivo de aquecer as pessoas para o show principal”, os integrantes mostraram um repertório próprio, com segurança e intimidade com palcos, sem medo de vaias. Com pouco mais de meia hora de show, o Rancore passou sua mensagem a quem estava lá, despertando interesse e curiosidade para quem não conhecia.

Assim que se despediram, aproximadamente 20 minutos foram necessários para a troca de equipamentos e organização do palco. Eram 21h00 quando as luzes novamente se apagaram, mas, agora, para dar entrada à grande expectativa da noite.

Com vocês, The Offspring

Um “olá” ou “boa noite” não foi preciso para Dexter Holland (vocalista e guitarrista), Noodles (guitarrista), Greg K. (baixista) e Pete Parada (baterista), além da presença de um músico de apoio, se comunicarem de imediato com os fãs. Eles optaram por dar um “boa noite” de um modo nada que mais justo: tocando. E com uma trinca para ninguém colocar defeito; All I Want, Bad Habit e Come Out And Play, na sequência, foi um verdadeiro pé na porta de cada um que ali estava.

A playlist do The Offspring era de encher os olhos de lágrimas; clássicos atrás de clássicos, sem receio. Com grandes sucessos de seus álbuns Ixnay On The Hombre, Smash, Days Go By, Conspiracy Of One, Americana, Rise And Fall Rage And Grace e Splinter, a banda não economizou, tocando grandes hinos a seus fãs. The Kids Aren’t Alright, Pretty Fly (For A White Guy), Mota e Why Don’t You Get A Job foram alguns dos hits executados com muita energia e disposição no palco, cativando qualquer um que tinha dúvidas do que seria tocado, além de eliminar aquela famosa dúvida: “Será que vão tocar as músicas antigas?”. Sim, e sem moderação.

Sabemos que, de um modo geral, bandas internacionais costumam elogiar os brasileiros, estes que têm fama de agitar e chegar ao ápice da adrenalina em qualquer show que acontece por aqui, ainda mais no segmento do Punk Rock. Mas, quando se é elogiado no dia seguinte a um festival da importância e porte de um Rock In Rio, merecemos aplausos. 

Por vezes Dexter Holland e Noodles soltavam frases como “You’re crazy!” e “That’s Great!” entre as músicas tocadas, além de estampar sorrisos e gargalhadas entre si. Um exemplo disso foi o momento em que o guitarrista Noodles fez uma rápida comparação com a apresentação do dia anterior, no RIR, dizendo: “Rock In Rio? Yeah, that’s ok! But, São Paulo, you’re so great! Yeeeeeeeaaaaahhhhh!”, e os fãs foram novamente à loucura. O que podia ter causado cansaço e dores no corpo, como o calor em meio às rodas do intenso bate-cabeça, foi rapidamente substituído por mais energia e adrenalina.

A banda fez apenas um rápido intervalo entre o set list. Assim que deixaram o palco pela primeira vez, o público não parou de gritar “Offspring! Offspring!” até que retornaram em poucos minutos, prontos para apresentar os sucessos finais. Can’t Get My Head Around You e Self Esteem foram as músicas de encerramento escolhidas, levando todos ao delírio. 

Por volta das 22h20, o The Offspring se despediu oficialmente da casa e dos fãs, jogando palhetas e agradecendo a todos que compareceram. Ainda restava esperança de que eles voltassem, em um segundo encore, mas logo as luzes se acenderam e os equipamentos sendo aos poucos recolhidos. Mas não temos do que reclamar; o show foi brilhantemente bem executado, com garra e vontade por parte de todos os integrantes, deixando, com certeza, a lembrança daquele momento por muito tempo em nossas mentes. Esperamos que não demore mais 9 anos a voltarem para cá.