
Foliões evidenciam a diversidade presente na tradicional festa de abertura do Carnaval | Foto: Flávia Jacquier
Em meio às negociações políticas da Conferência do Clima (COP23), a cidade de Colônia, a quarta maior da Alemanha, com pouco mais de 1 milhão de habitantes, parou no dia 11 de novembro, a partir das 11h11 para assistir à abertura do tradicional carnaval de rua alemão, que ocorre todos os anos desde 1823 e segue até a quarta-feira de cinzas do ano seguinte, com manifestações dispersas ao longo desse período.
O volume de pessoas na COP23, que se estende até o dia 17 de novembro, em Bonn, cidade vizinha à Colônia, garantiu maior presença na festividade. Por ser uma cidade bem próxima de onde se realiza a conferência, Colônia já estava preparada para receber um número bem maior de participantes, tentando garantir transporte público e acessibilidade para pessoas de todas as nacionalidades esperadas neste ano.

Foliões em frente à escadaria da catedral Kölner Dom | Foto: Flávia Jacquier
Os participantes da COP23 e do carnaval contribuem bastante para a movimentação da economia em Colônia. No entanto, o Kölner Karneval, como é popularmente conhecido no país, deixou algumas lacunas relacionadas à implementação de práticas frequentemente debatidas no encontro climático.
Muitos dos temas discutidos durante a COP 23 propõem transformações a longo prazo, uma vez que dependem de uma série de mudanças estruturais na sociedade. Esperava-se, porém, que os organizadores do tradicional carnaval de rua de Colônia tivessem planejado o descarte adequado dos resíduos, especialmente no momento em que o país sedia um dos principais eventos ligados à temática da sustentabilidade e, claro, ao combate às mudanças climáticas.
No trem a caminho para Colônia, já era visível a quantidade de lixo produzida pelos foliões. Latas de cerveja e até mesmo garrafas de vidro de bebidas alcoólicas misturavam-se à paisagem da cidade. Após poucos minutos de festa, um de seus principais cartões postais, a catedral Kölner Dom, também já estava repleta de embalagens de bebidas e garrafas de vidro quebradas pelo chão.
Os recipientes coletores não comportavam a quantidade de lixo produzida e não havia indicação de nenhuma campanha de conscientização sobre descarte adequado e reciclagem, principalmente de embalagens de vidro – o único material que pode ser completamente reciclado e traz uma série de vantagens, como o baixo consumo de energia, a redução de emissão de gases do efeito estufa e a economia de recursos naturais.
Do ponto de vista da comunicação, notamos um desencontro entre a imagem esperada da cidade e a imagem percebida do que efetivamente aconteceu. Essa contradição é um desafio frequente entre teoria e prática, especialmente para os relações-públicas atuantes na área ambiental.
Assim, é fundamental que ações de desenvolvimento sustentável discutidas durante o encontro climático também sejam contempladas em planos de comunicação de todos os setores e segmentos sociais, inclusive em festas populares. Uma decisão sábia que permitirá à cidade de Colônia preservar seus encantos.
- Foliões no trem a caminho de Colônia ressaltam o dia 11 de novembro como o “melhor dia do ano” | Foto: Flávia Jacquier
- Foliões saindo da estação central em direção a Kölner Dom; no detalhe, já é possível identificar o descarte do lixo no chão | Foto: Flávia Jacquier
- Concentração de foliões em frente à estação central de Colônia; detalhe para lixo descartado no chão | Foto: Flávia Jacquier
- Próximo ao restaurante HardRock de Colônia também é possível identificar o descarte incorreto de lixo | Foto: Flávia Jacquier
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