Países latino-americanos apresentam políticas climáticas ousadas

Por: Ana Beatriz Marchiori e Sophia Lopes

América Latina mostra esforços para reduzir impactos no clima

Marcelo Mena, ministro do Meio Ambiente do Chile, no painel Climate Change, Air Pollution and Health | Foto: Damian Trivelli

O anúncio da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, feito em junho, tem sido um dos principais assuntos da COP23, em Bonn, Alemanha.

Se para Trump o acordo climático parecia injusto, na América Latina sua recepção foi mais positiva, como na Costa Rica e no México que, apesar de ser um dos maiores emissores de gases do efeito estufa (GEEs) na região, tem se destacado por sua política climática.

Embora tenham propostas robustas para o enfrentamento dos impactos climáticos, a participação dos dois países na COP23 está bastante tímida. Procurados pela reportagem, representantes do governo mexicano preferiram não se aprofundar sobre suas plataformas ambientais. “Nós estamos muito comprometidos em combater as mudanças climáticas porque sofremos com os seus efeitos”, explicou Rafael Pacchiano, ministro do Meio Ambiente e Recursos Naturais do México.

Rafael Pacchiano, ministro do Meio Ambiente e Recursos Naturais do México, em entrevista à equipe de reportagem | Foto: Ana Beatriz Marchiori

Outro país com políticas climáticas efetivas é o Chile, um dos líderes no ranking latino-americano na produção e uso de energias renováveis. Entre 2015 e 2019, a capacidade total de energias renováveis no país deve chegar a 6GW, sendo a metade proveniente de energia solar e eólica.

Para o ministro chileno do Meio Ambiente, Marcelo Mena, o país ainda precisa integrar seu sistema de energia com as nações vizinhas. “O futuro é um sistema elétrico integrado”, afirmou Mena, que espera ver os países latino-americanos trabalhando em conjunto para maior aproveitamento de energias renováveis.

Em Bonn, o governo brasileiro diz cumprir a meta de reduzir 37% das emissões de gases do efeito estufa, até 2025, tendo como parâmetro os níveis verificados em 2005, fala que contradiz os dados apresentados por ambientalistas e instituições de pesquisa.

Entre 2015 e 2016, foram desmatados 7989 km² na Amazônia Legal, de acordo com levantamento do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), coordenado pelo Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais). O número representa um aumento estimado em 26% em relação ao primeiro semestre de 2015. O estado com maior índice de desmatamento foi o Pará, com 3025 km². Apesar da estatística preocupante, o secretário de Mudança do Clima e Florestas, Everton Lucero, adotou uma fala otimista. “O Brasil já é, há muitos anos, protagonista das negociações de mudança do clima”.

Everton Lucero, secretário de Mudança do Clima e Florestas do Brasil, discute a atuação do país sobre as mudanças climáticas | Foto: Ana Beatriz Marchiori