Afeto e política: Gênero, processos midiáticos e participação digital das vereadoras da Região Metropolitana de Campinas

Autora: Tayra Carolina Nascimento Aleixo
Tipo de produção: Produção científica
Classificação: Dissertação/Tese
Data: 11/04/2016

Resumo

Esta dissertação estuda as imbricações entre política e afeto, destacando o gênero nessa relação a partir da captação de entrevistas com as doze vereadoras em exercício na Região Metropolitana de Campinas. Para analisar as entrevistas, o método qualitativo admite a perspectiva afetiva para articular os principais temas levantados no trabalho. Além disso, dados secundários foram coletados mediante netnografia e confrontados com o referencial teórico que sugere a extensão da partipação política para a internet. O afeto é, portanto,uma questão transversal que percorre este trabalho. Figura como parte da construção histórica da figura feminina, naturalizada no sentido de indicá-la como alguém propensa à “vivência doméstica” e “experiência maternal”. O afeto também aparece nos comportamentos de alteridade ou repreensão, pautados em preconceitos e inclinações, das pessoas perante formações estereotipadas das identidades femininas no campo político, bem como nos processos midiáticos, a partir da apropriação da arte pela mídia ou da adoção do espetáculo pela política para angariar visibilidade. A apresentação da política, neste cenário, parece seguir uma orientação mercadológica da mídia, distanciando-a da possibilidade de culminar uma cultura politicamente crítica. O que Sodré (2006) chama de “estratégias sensíveis” utilizadas na política não incitam necessariamente uma racionalidade, mas promovem sensibilizações que benefíciam a imagem política do candidato. No tocante à questão de gênero, algumas diferenciações na visibilidade midiática de ambos os sexos sugere a permanência da desigualdade sob a forma de cisões no meio político. O recorte empírico investiga as incidências dessas diferenciações na experiência das vereadoras da Região Metropolitana de Campinas. Para tanto, foram realizadas nove entrevistas e verificado perfis online dessas políticas. Segundo as falas obtidas, essas mulheres se defrontam com discriminações sutis nas câmaras interioranas cujo ambiente é predominantemente masculino. O preconceito manifesta-se sob a forma de piadas e brincadeiras de mau gosto. Outras formas de minar o comportamento feminino na política vão de encontro com requisitos de vestuário, toque como divisor das relações sociais e da postura firme que as mulheres devem tomar, enquanto representantes políticas, para aproximar sua imagem da identidade pretensiosamente masculina de autoridade. A dimensão afetiva também pode ser voltada para ganhos de visibilidade na internet mediante postagens com elementos pessoais. Ou seja, na internet essas vereadoras buscam alimentar seus perfis com conteúdo considerado “leve”, promovendo ganhos de visibilidade a partir dos elementos pessoais embutidos nessas postagens. Com isso, a política não assume as ferramentas da democracia digital para compartilhar informações ou decisões políticas, ou seja, as ferramentas online perdem politicidade ao mesmo tempo que refletem a deficiente relação candidato-eleitor incrustrada na cultura brasileira. As vereadoras ressaltam, por fim, o ônus da carreira política e o impacto dessa na sua privacidade, que é invadida até mesmo nas redes socias voltadas para manutenção de contatos íntimos. Na internet, as vereadoras podem sofrer ataques verbais, desencorajando a exposição de posicionamentos políticos em seus perfis online. As resistências são identificadas em ambos os lados. O estudo finalmente considera que a comunicação, enquanto vinculação e veiculação, deve ser tratada com maior comprometimento pela sociedade, voltando esforços para promover o sentimento de comunhão com maior responsabilidade.

Palavras-chave: afeto; política; gênero; processos midiáticos.