Era uma vez… outra vez: A retomada e a reinvenção dos contos de fada pelo mundo (des) encantado da mídia

Autor: Carolina Chamizo Henrique Babo
Tipo de produção: Produção científica
Classificação: Dissertação/Tese
Data: 10/04/2015

Resumo

A proposta desta investigação é identificar o lugar e a importância dos contos de fada para o ser humano e para a cultura, além de verificar os motivos da transposição dos mesmos em distintas produções da atualidade (filmes, animações e seriados televisivos), em um reflexo da indústria cultural em que passaram a ser reproduzidos. Assim, os objetivos desta pesquisa concentram-se em compreender as razões da retomada e da reinvenção dos contos maravilhosos, bem como em tecer comparações entre as histórias “originais” e seus referencias contemporâneos. A hipótese geral apoia-se nos estudos de Car Gustav Jung e em sua teoria de que possa haver uma espécie de compensação dos temas arquetípicos de que determinada época mais precise. Nesse sentido, entendemos que em um mundo fortemente marcado pela razão, o homem possa sentir cada vez mais necessidade de entrar em contato com seus temas simbólicos, temas oferecidos pelos contos de fada e pelas narrativas míticas e traduzidos, atualmente, pelos produtos da cultura de massa.
Como quadro de referenciais teóricos, utilizo-me, para o entendimento dos contos como importantes instrumentos de ensinamentos para o homem, uma abordagem voltada à linha da psicologia analítica e emprego os estudos de Carl Gustav Jung e Marie Louise Von Franz. Para o tema correlato dos mitos, recorro a autores como Joseph Campbell, Karen Armstrong, Mircea Eliade e Vladimir Propp. Na parte específica do estudo desses contos já transformados em produtos pela indústria cultural, emprego as teorias de Theodor W. Adorno, Max Horkheimer, Edgar Morin e Roland Barthes. Para entender as diversas plataformas que esse contos podem assumir (a oralidade, as páginas dos livros e as telas da televisão), o presente estudo encontra nos ensinamentos de Harry Pross e Norval Baitello Junior o respaldo necessário. Por fim, baseada nos estudos de Dimas Künsch, me apoio ainda na temática do pensamento compreensivo, como aquele que abrange, reconhece e coloca em diálogo as diferentes áreas, lugares e protagonistas do conhecimento.
Além desses autores, me dedico ainda à leitura dos contos maravilhosos, com destaque para as obras de Jacob e Wilhelm Grimm, Charles Perrault, Hans Christian Andersen, Jeanne-Marie LePrince de Beaumont, Joseph Jacobs, Carlo Collodi, Lewis Carroll, L.Frank Baum e J.M.Barrie. Em termos metodológicos, parte-se da pesquisa bibliográfica, baseada nos autores acima citados, e se segue adiante com um levantamento em sites especializados, que possibilitem um mapeamento dessas produções. Além disso, a pesquisa compara os produtos lançados pelos agentes do entretenimento e seu referencial mais direto, de modo a compreender de que maneira essas narrativas mágicas e seus personagens se transformam quando apropriados e modificados pela indústria cultural. Os exemplos aqui estudados se preocupam em abranger tanto aquelas produções que se apropriam abertamente de seus conteúdos, quanto as que aparentam ser narrativas distintas, mas que também reproduzem a temática dos contos de fada. Como é o caso de Crepúsculo, série estudada mais detalhadamente na presente dissertação por ser considerada como o auge dessas reinvenções.

Palavras-chave: Mídia. Produtos midiáticos. Contos de Fada. Narrativas. Crepúsculo.