Conheça duas disciplinas da pós-graduação

Por: Júlia Faria, do Núcleo de Mídias Digitais

Michelle Prazeres e Liráucio Girardi Júnior entram para o corpo docente da pós-graduação lato sensu

Michelle Prazeres e Liráucio Girardi Júnior, professores da graduação na Faculdade Cásper Líbero, foram convidados para lecionar na pós-graduação pelo prof. Dr. Dimas Künsch, coordenador do curso de Mestrado e de Pós-Graduação lato sensu e docente no Mestrado, no lato sensu e na graduação.

Michelle será titular na disciplina de processos e produtos jornalísticos no ambiente digital, enquanto Lira, como é conhecido entre os alunos, vai ministrar aulas sobre comunicação, redes sociais e cibercultura. De acordo com o professor Dimas, ambos reforçam o corpo docente altamente especializado da pós, já que são doutores e têm vasta produção em suas áreas de atuação.

 

Prática e reflexão sempre juntas

Novata na Cásper, a professora Michelle Prazeres, doutora em educação, começou a lecionar novas tecnologias da comunicação este ano para os alunos do 3º ano do curso de jornalismo.

A proposta da disciplina que irá assumir na pós, processos e produtos jornalísticos no ambiente digital, é falar sobre o contexto da cibercultura, mostrando como ela modifica a prática jornalística desde o processo até o produto final, abrangendo também uma nova forma de recepção desses produtos. A professora diz que está “muito contente com a disciplina”, pois espera “acrescentar a ela [compartilhando] experiências adquiridas ao longo da carreira”. Além disso, afirma que “a oportunidade é um reconhecimento de sua produção prévia, do trabalho que faz na graduação, apesar de recente, e de seu potencial para a pós”.

Enquanto cursava o mestrado, Michelle sempre manteve atividades profissionais paralelas à pesquisa, “Eu nunca paro de exercer a comunicação enquanto reflito sobre ela, […] a prática oxigena e areja a reflexão”. Seu intuito é manter essa vertente da experimentação em sua disciplina.

Militante, Michelle trabalha frente à sociedade civil, prestando serviços e atuando ativamente na área de comunicação. Consultorias para ONGs e movimentos sociais para implementação de tecnologias em ambientes educacionais estão entre algumas das atividades que exerce.

Também consultora de planejamento estratégico, ela pretende usar essa habilidade na hora de falar sobre como planejar conteúdo jornalístico. “O jornalismo hoje está muito ligado ao deadline, o que faz com que a noção de processo se perca”. Michelle quer refletir com os alunos a respeito de como a tecnologia influencia na recepção do produto: “quais são os dilemas colocados para o jornalista em tempos de rede social onde todos podem se comunicar?”.

 

Memória coletiva

Liráucio Girardi Júnior é doutor em sociologia. Desde 1993, Lira leciona sociologia em todos os cursos de graduação da Cásper e já teve a oportunidade de substituir uma professora na pós-graduação. Assim que uma vaga de titular foi aberta no programa da pós, escreveu ao coordenador sugerindo uma reformulação na disciplina ministrada até então, criando a matéria comunicação, redes sociais e cibercultura.

Entre 23 e 25 de abril, o professor participou do workshop internacional “Além do Digital – Memória Coletiva e Redes Sociais em Conflitos Globais emergentes”, com outros 19 doutores. O evento, que aconteceu na ECA-USP e foi organizado pela FAPESP e pelo British Council, fez parte de um programa de aperfeiçoamento de ECRs (Early Career Researches) e teve como intuito pensar metodologias e questões teóricas relacionadas à memória coletiva, passando pelos meios de comunicação e principalmente pela internet, pois, segundo o professor Lira, a dinâmica da internet faz com que os processos de memória coletiva sejam diferentes do que eram com os meios tradicionais. Os 20 ECRs apresentaram seus projetos de pesquisa e se dividiram em grupos delimitando temas para estudos em conjunto.

Lira contou que muitas das discussões levantadas no workshop são de conhecimento da área de comunicação há bastante tempo, mas quando vistas por outras áreas, como a da computação, são tidas como novidades. “As reflexões acerca da memória coletiva, por exemplo, vem dos anos 1950, a partir das observações sugeridas pelo sociólogo Maurice Halbwachs, que tem um estudo sobre os quadros sociais da memória”, explica o professor, cujo tema será uma das pautas de seu curso na Cásper.

Lira está curioso para conhecer o perfil dos alunos e entusiasmado para aprofundar o assunto, abordado de maneira breve na graduação. “Só apresento a discussão sobre sociedade de controle e da sociedade em rede, para contextualizar os alunos”. Ele pretende desenvolver ainda a noção de participação, pois “até esse conceito está equivocado hoje em dia”, trabalhando com a ideia de construção coletiva. “Vou tentar nem tanto dar respostas, mas fomentar boas perguntas. Onde está o problema? Buscarei boas perguntas”, afirma o professor.

Outro ponto que pretende trabalhar no curso é a teoria do agenda-setting, famosa nos anos 1970, e que fala sobre o poder de manipulação dos meios de comunicação sobre o que as pessoas pensam e os enquadramentos que elas dão aos fatos. O professor quer trabalhar esse conceito especificamente na era da internet.