Revista Esquinas

 

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Edição #62

Editorial

Escolher e resistir

Uma onda reacionária tomou conta do Brasil no segundo semestre de 2017. Enquanto exposições são sumariamente fechadas e manifestações artísticas são censuradas por determinados segmentos da sociedade com o apoio do Congresso Nacional, o Brasil aguarda – entre a ansiedade e a perplexidade – as eleições que devem acirrar ainda mais os ânimos conservadores no segundo semestre de 2018.

Neste contexto conturbado, só cabe à Esquinas – a mais longeva publicação laboratorial de uma escola de Jornalismo do País – reiterar seu compromisso com a liberdade de imprensa, direito, aliás, assegurado pela Constituição de 1988. Mantendo a tradição de esquadrinhar a metrópole, a revista que agora chega a você visitou de igrejas evangélicas a casas de fetiche para mostrar que São Paulo é uma cidade em que o direito à escolha de ser quem você é continua existindo para além de todo o conservadorismo limitante.

É preciso exprimir claramente o que foi apurado nas pautas propostas para que nossos leitores tenham também a liberdade de decidir de que lado se posicionarão. Somente esse desejo de narrar histórias não ficcionais que fujam ao lugar comum pode explicar, numa mesma edição, reportagens como a que conta os dez anos da Ocupação Mauá, na Luz, e outras que mapeiam em fotografias os locais na cidade especializados na conservação e divulgação científica da fauna brasileira.

Do mesmo modo, histórias se entrecruzam nas linhas de ônibus da metrópole e na reflexão sobre o futuro das ciências no País e o lugar das mulheres na tecnologia. Esquinas também encontra espaço para questionar os limites e falhas da acessibilidade na Pauliceia e volta aos circos de bairro para lembrar que a velha lona segue se transformando para que a nostalgia se mescle à esperança.

Por último, mas não menos importante, a equipe de Esquinas saúda a editora de textos, Paula Calçade, e o editor de arte, Guilherme Guerra. Recém-formados, a dupla encerra um ciclo na revista para começar um outro ainda mais importante: a entrada no mercado de trabalho. Defensores aguerridos da liberdade de expressão, de imprensa e da diversidade, temas que marcaram cada uma das páginas desta edição, mesmo que de maneira não declarada, a dupla atesta – ao contrário do que defendem alguns – que o desejo de se fazer bom jornalismo segue forte entre os jovens. Paula e Guilherme vão agora “sujar sapatos” em outras redações. Aquilo que todo jornalista de verdade, no exercício legítimo de sua profissão, deve fazer e que eles sempre praticaram com personalidade e inteligência no Núcleo Editorial da Cásper.

Boa leitura!

Márcio Rodrigo, jornalista e docente