Revista Esquinas

 

logo-revista-esquinas

Edição #61

 

Editorial

Debate e diversidade

Dois fenômenos em escala mundial marcam o ano de 2017: de um lado, o crescimento exponencial das chamadas fake news, ou “notícias falsas”, e a polarização ideológica que atinge não apenas o Brasil, mas boa parte das nações do mundo. Aparentemente desconexos, tais fenômenos encontram na propagação cada vez mais rápida das informações pela internet, e especialmente nas redes sociais, seu ponto de convergência. Fazendo arrefecer os debates e afastando as pessoas, as fake news e a polarização acabaram por gerar “bolhas” de opinião e discursos de ódio que, em vez de aproximarem e integrarem as pessoas, intenção original da web, acabou por afastá-las.
Neste contexto, o jornalismo de qualidade surge, como sempre, como um meio capaz de deter a propagação de falsas notícias ao mesmo tempo em que estimula o debate, elemento essencial para que as bolhas de ideias polarizadas e de discurso de ódio se não forem superadas, sejam, ao menos, diluídas.
Este é, portanto, o objetivo central da edição da Esquinas que agora você tem em mãos. Enquanto a grande imprensa brasileira e as redes sociais transbordam ideias “polarizantes” e denuncismos aos borbotões, que bem pouco vem acrescentado à elucidação de questões centrais que tangem à sociedade, a revista laboratorial dos estudantes de Jornalismo da Cásper Líbero prefere seguir pelo caminho do debate, como maneira de se analisar as principais mudanças que marcam a realidade contemporânea.
Localizada em São Paulo desde sua origem, há sete décadas, a Cásper reúne entre seus estudantes um significativo resumo da diversidade, inclusive intelectual, que marca a capital paulista. Desta maneira, ao se inclinar ao debate, a única maneira encontrada pela Esquinas para poder praticá-lo de maneira eficaz foi exibindo em suas páginas toda a efervescência social, comportamental e cultural de questões e temas presentes hoje não apenas na vida da cidade, mas que estão presentes na realidade de todo o País.
Desse modo, os jovens repórteres da revista se debruçaram sobre assuntos que estão na ordem do dia e que clamam por discussões livres de preconceitos e estereótipos, traduzindo em reportagens, fotografias, colunas e infográficos toda a complexidade que um momento marcado por tanta diversidade e polarização exige.
Das transcidadãs e transcidadãos de São Paulo, que querem ampliar seus direitos adquiridos a partir de projeto de inclusão inaugurado pela gestão passada da Prefeitura, passando pela complexidade da Reforma da Previdência proposta pelo governo federal que envolve a vida dos trabalhadores brasileiros – inclusive a de todas as empregadas domésticas que há menos de dois anos adquiriram direitos trabalhistas mais justos com a aprovação da chamada PEC das Domésticas – a preocupação de Esquinas é traduzir em “bom jornalismo”, como quer o jargão profissional, assuntos que precisam ser debatidos na sociedade.
Se a revista vai conseguir furar as “bolhas” marcadas pelo discurso de ódio que circulam pela internet e banir as fake news que hoje dominam o mundo? Claro que não. Mas, certamente, a Esquinas continuará praticando um bom jornalismo. Aquele que pensa, debate e lança novos olhares para antigas, recentes e “diversas” questões que marcam a cidade, o País e o mundo.

Boa leitura!

Márcio Rodrigo
Jornalista e docente