Revista Líbero

Revista eletrônica do Programa de Mestrado em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero – ISSN 2525-3166

Edição atual

Líbero Ano XXII – nº 43 – jan/jul 2019

“Se o jornalismo é crítico, ele tem que enfrentar os mais poderosos. Tem que ir contra o poder hegemônico
e trabalhar para as minorias, para mais igualdade social, pelo respeito geral dos direitos. É isso que parte
da crítica acadêmica está cobrando do jornalismo”. Esta oportuna fala compõe a entrevista que abre a
primeira edição da Líbero de 2019. São palavras de Gislene Silva, professora da Universidade Federal de
Santa Catarina. Em conversa realizada com Juliana Doretto para a nossa revista, Gislene fez preciosos
apontamentos a respeito das críticas lançadas pela Academia ao Jornalismo.

Seguimos com 11 textos de temática livre. No primeiro deles, Telma Sueli Pinto Johnson e Paulo Roberto
Figueira Leal arrolam entrevistas com profissionais do diário El País na Espanha e no Brasil, somadas a
indicadores de acesso digital à edição brasileira do periódico, para cotejar as narrativas construídas pelo
jornal sobre o seu próprio perfil editorial com as percepções de segmentos do seu público leitor.

Na sequência, uma polêmica editorial. O artigo “Excommunicatio communicationis. Uma introdução a uma
teoria negativa da comunicação”, de Maurício Liesen, foi avaliado por dois pareceristas. Em todos os casos,
a excelência do texto foi destacada. Igual modo, um dos pareceres questionou a aderência do trabalho ao
Campo da Comunicação, e a sua consequente veiculação na Líbero. Os editores deliberam, então, deixar
aos leitores a possibilidade de refletir se um escrito orientado por perspectiva epistemológica que não
problematiza qual é o objeto da comunicação, mas faz da ideia de comunicação o seu próprio objeto, é
pertinente a uma publicação como a nossa.

O terceiro texto desse número é assinado por Carlos Costa. Em “O futuro do trabalho do jornalista
é o digital”, Costa reflete sobre as mudanças que ocorrem (cada vez com maior velocidade) no mundo
do trabalho, precisamente no limiar da chamada “4ª Revolução Industrial”. Lemos afirmações fortes,
provocadoras, como a que segue: “O diploma não traz certeza de emprego e muitos desaparecem. As
escolas parecem distraídas quanto a isso, enquanto empresas jornalísticas tomam dianteira.”

Eduardo Duarte vem na sequência com “O Pensamento por imagens – a aurora das experiências
estéticas do homo sapiens”, cuja pergunta de pesquisa pode ser assim enunciada: “Como se estrutura o
pensamento a partir de imagens?”. A interrogação é não apenas pertinente, como também problematizada
da filosofia grega às recentes ciências cognitivas.

Em “A Polarização Afetiva da Obra de Sebastião Salgado”, nosso quinto artigo, Wagner Souza e
Silva enquadra “Gênesis”, último projeto de Sebastião Salgado, como materialização de uma mudança
temática, passando das conhecidas abordagens da miséria, desigualdade social e sofrimento humano
para a exuberância de ambientes naturais do planeta. Considerando existir evidente virada em relação
ao objeto fotográfico de Salgado, Souza e Silva discute esta guinada a partir de uma interpretação afetiva,
propondo que este mais recente trabalho do fotógrafo parece um tipo de mudança de estratégia sensível
para abordar as mesmas questões que estavam presentes em suas produções anteriores.

Nosso sexto artigo, “Capoeira e Interfaz: Cuerpo, mente y hologramas en la subversión del conocimiento”,
escrito por Alberto Greciano, constrói uma relação metafórica entre a fenomenologia da Capoeira e a da Interface, para então introduzir questões epistemológicas e cognitivas ligadas à comunicação
contemporânea. Sua abordagem explora o modo particular de exposição do conhecimento que se desenvolve
nestes dispositivos e os modelos mentais que sustentam suas bases.

Após o trabalho de Greciano, trazemos Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim e Nina Velasco Cruz com “Na
ventania: do irrepresentável para os tableaux vivants e o uso da voz over”. As autoras inauguram o trabalho
com a controvérsia do irrepresentável no cinema, desencadeada por filmes sobre o Holocausto judaico na
Segunda Guerra Mundial, para analisar como prevenções ético-estéticas se atualizam no filme estoniano
“Na ventania” (MARTTI HELDE, 2014), dando profundidade à película para além da imagem e da cena.

O oitavo artigo da Líbero é “No silêncio dos vestígios: o naufrágio do Maria Celeste na capa do Jornal
do Povo”. Estefania Knotz Canguçu Fraga e Diogo Azoubel publicam aqui a terceira parte de uma série de
reflexões sobre a imagem fotojornalística via análise da capa da edição de 19 de março de 1954 do Jornal do
Povo, em que são retratados seis das vítimas do incêndio e sucessivas explosões do navio cargueiro Maria
Celeste, por três dias consecutivos, na costa do Maranhão. Carlo Ginzburg e Aby Warburg são costurados
numa sofisticada perspectiva que, longe de configurar exaustivo exercício teórico, possibilita aplicá-los
partindo da revisão bibliográfica como técnica aliada ao método monográfico.

Chegamos, então, a “Comunicação cidadã e ecológica: experiência de resistência cultural contemporânea
a partir da atuação do larp no Centro Cultural da Juventude de São Paulo”. Tadeu Rodrigues Iuama e Jorge
Miklos exploram práticas comunicacionais contra-hegemônicas que refletem sobre diferentes modelos
de estruturas sociais, cujos enfoques encontram relações horizontalizadas. Tem como objeto o larp, cujo
recorte envolve tal prática pela ONG “Confraria das Ideias”, no Centro Cultural da Juventude de São Paulo.
Todo o trabalho é apoiado na Ecologia da Comunicação de Vicente Romano.

Seguimos, agora, com “Jogo Inside Experience: as marcas e a cultura na sociedade do espetáculo”.
Cláudio Coelho e Yolanda Moretto Scudeller fazem um exercício para compreender como a identidade
das empresas, recentemente, passa a se aproximar cada vez mais da cultura através do jogo, dentro do
contexto da sociedade do espetáculo. A argumentação é montada a partir de observações sobre o jogo de
realidade alternativa The Inside Experience. As proposições de Debord são tramadas com Klein, Van Dijck
e Lemos, buscando-se entender o papel das marcas como produtoras de cultura, e como os usuários de
jogos digitais são incentivados a participar do processo de produção destes produtos.

O último artigo desta edição, “Fotojornalismo esportivo: imagens de Mulheres paralímpicas em seis
capas de jornais brasileiros”, analisa como as mulheres paratletas foram retratadas em seis capas dos
jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, durante os “Jogos Paralímpicos Rio 2016”. Neide Maria Carlos
e José Carlos Marques têm por ponto central de análise o fotojornalismo esportivo, atravessado pelas
questões de gênero e da construção de discursos.

Finalizamos a Líbero com uma resenha de Laura Uliana sobre o livro “Imaginação Civil: Uma Ontologia
Política da Fotografia”, de Ariella Azoulay (2018).

Desejamos a todas e todos uma excelente leitura.



Presidente 

Paulo Camarda

Diretor da Faculdade

Welington Wagner Andrade

Editores dessa edição:

Marcelo Santos e Simonetta Persichetti

Comissão Editorial:

Marli dos Santos, Marcelo Santos e Simonetta Persichetti


Líbero, revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero, de periodicidade semestral, publica trabalhos inéditos, de autoria individual ou coletiva, sob a forma de artigos ou resenhas, de autores nacionais e estrangeiros. Os textos enviados à revista para publicação (Ver Normas para Colaboradores) devem estar situados no campo de pesquisa articulado em torno da área de concentração do Programa, “Comunicação na Contemporaneidade”, e de suas linhas de pesquisa, “Processos midiáticos: tecnologia, cidadania e mercado” e “Produtos midiáticos: jornalismo, imagem e entretenimento”.


Onde Encontrar

Chamada para trabalhos