São Paulo: do cinza ao pó

Por: Juliana Muscovick

São Paulo sofre com o intenso movimento de verticalização que apaga boa parte da memória da cidade

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Edição nº zero – 2013

Roteiros turísticos pelo Centro Velho não faltam em São Paulo. Lugares como a Catedral da Sé, o Marco Zero, o Solar da Marquesa, o Viaduto Boa Vista, a Praça do Patriarca, o Mosteiro São Bento e a Estação da Luz fazem parte do roteiro de turismo urbano proposto pela SPTuris, pela Associação Viva o Centro e pelo Visite São Paulo. O site São Paulo Antiga oferece passeios como “São Paulo nos Tempos dos Barões do Café”, um tour pelos Campos Elíseos e pelo bairro da Luz, que viveram seu esplendor nos áureos tempos do café. Já a Graffit Viagens e Turismos, além de organizar circuitos por regiões da época da Colônia e do Império, oferece ao turista urbana o circuito “São Paulo Além dos Túmulos”, que visita o antigo largo da Forca, hoje Praça da Liberdade onde, segundo a crendice popular, vagueiam espíritos perdidos; o Castelinho “mal-assombrado” da Rua Apa e o Edifício Joelma.

O movimento de verticalização nesses últimos anos tem sido impiedoso com a memória da cidade. Na Mooca, por exemplo, bairro que abriga o Memorial da Imigração e que foi palco do ativismo político dos trabalhadores das indústrias no início do século XX, os prédios estão tomando o lugar das antigas fábricas. Da União dos Refinadores, relíquia arqueológica, restou apenas uma chaminé. No entanto, felizmente algumas empresas optam por manter mais que a fachada antiga das construções, como é o caso do Centro Cultural Banco do Brasil, que ocupa na região central uma edificação de 1901 na Rua Álvares Penteado; da Cinemateca Brasileira, instituição responsável pela preservação da produção audiovisual nacional, cuja sede está localizada no antigo Matadouro Municipal na Vila Mariana, datado do final do século XIX; ou do Sesc Pompeia, projeto de restauração de Lina Bo Bardi de uma fábrica alemã construída em 1938.

A conscientização para preservação é uma tarefa das mais urgentes. Iniciativas isoladas têm surgido com força, como pequenas associações de moradores que se reúnem para mobilizar a comunidade e pressionar o poder público, como os “Moradores de Pinheiros Contra a Verticalização”, os “Moradores da Vila Pompeia Contra a Verticalização” ou o “Movimento pró-Parque Augusta” – que, além da preservação, preocupa-se também com a falta de áreas verdes e de lazer na cidade.