Por trás das câmeras

Por: Adriano Batista Ferreira

Uma profissional de TV com boas histórias para contar

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Edição nº 3 – Junho de 2015

Crédito: Dinah Sales de Oliveira

Crédito: Dinah Sales de Oliveira

Regina Soler detém uma longa trajetória na televisão brasileira, tendo passado por emissoras variadas e desempenhado diferentes funções. A seguir, a professora dos cursos de Jornalismo e Rádio, TV e Internet da Faculdade Cásper Líbero e roteirista de programas infantis da TV Cultura recupera um pouco da sua trajetória e conta como foi trabalhar no Bom dia, São Paulo, Disney Club, Castelo Rá-Tim-Bum, Cocoricó e Matéria-Prima.

Em entrevista ao site da Cásper, você declarou que o livro As Aventuras de Tom Sawyer teve um sabor especial em sua vida. Que experiência o livro de Mark Twain lhe proporcionou?

Este livro tem uma importância grande. Na verdade, eu realmente viajei naquelas aventuras. Muito interessante que eu não tenha visto o filme e nem sabia que havia adaptações. Eu era pequena e conseguia ver cena por cena daquela história, daquela narrativa tão especial. Quando o Tom e a Becky ficam perdidos dentro da caverna, é muito emocionante. A grande importância foi a de que virou um livro muito próximo a mim, que eu lia e relia na hora em que quisesse.

Como o trabalho de um profissional de TV repercute junto ao público?

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Crédito: www.tvcultura.cmais.com.br

O trabalho que realizei até aqui foi sempre em equipe, pautado por uma preocupação com a sociedade. Procuramos levar estímulos para as pessoas se sentirem valorizadas e transformarem seu dia-a-dia. É legal você saber que tem algo a contribuir. Isso é muito bom.

Como foi sua participação no III Laboratório de Roteiros do Sundance Festival, em 1999?

Nesse concurso, eu e mais três parceiras escrevemos um roteiro intitulado É hoje. Nosso trabalho foi selecionado e ficamos uma semana em um hotel participando de um workshop que debateu cada uma das histórias apresentadas. Os consultores convidados eram o Eduardo Coutinho, o Alexander Payne e o Fernando Solanas.

Que trabalhos tiveram mais importância em sua carreira?

Eu não saberia dizer. Talvez aqueles que foram uma ponte para uma atividade que passei a desenvolver depois, então. Por exemplo: quando fui trabalhar com Serginho Groisman, fazendo o Matéria Prima, foi demais. Aprendi muito com ele, a maneira como ele conduz a equipe. E foi um momento de mudança: eu deixei de ser a repórter tradicional para produzir vídeos que tinham uma característica mais autoral. Isso foi o Serginho quem me deu, junto, é claro, com o pessoal da TV Cultura. Depois veio o Fanzine. Trabalhar com o Marcelo Rubens Paiva e toda a equipe foi bastante desafiador. Em relação aos infantis, todos foram marcantes para mim. Eu sou uma profissional e me apaixono pelo trabalho que faço. Em todos eu aprendi muito, muito mesmo.

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Crédito: www.esquinadamusica.blogspot.com.br/

Seu trabalho exige de você muita criatividade. Seu conhecimento de crítica genética influencia em seu processo criativo?

No trabalho de produção e criação de produtos audiovisuais eu me sinto mais liberta, por mais que haja limitações. Por exemplo, alguns trabalhos precisam ser feitos com tempo determinado, em outros não se pode gastar muito etc.. Mas essas limitações acabam virando desafios, é bem engraçado. Já a crítica genética não tem relação direta com meu trabalho. O estudo do processo pretende revelar os caminhos pelos quais o artista passou. Quando estou criando alguma história, não estou preocupada com isso. Só me interessa a história. O segredo para você trabalhar com qualquer público é entender que público é este, é saber aquilo pelo qual ele anseia, o que ele talvez precisasse saber, mas não sabe, e, sobretudo, falar a mesma língua dele, conversar de igual para igual, como se a gente olhasse nos olhos mesmo dos espectadores…

Como sua experiência em TV ajuda em seu trabalho como docente?

As trocas entre o mercado de trabalho e a academia são constantes. Eu não leria certas coisas se estivesse somente na área do audiovisual, por exemplo. Da mesma forma, no audiovisual tenho acesso a informações e contatos com pessoas que não teria na academia. Então, eu cresço com estas trocas e o que eu posso levar para sala de aula, levo. Estou fazendo uma experiência muito interessante em Rádio e TV, trazendo colegas do audiovisual para dar um feedback aos alunos sobre trabalhos que eles desenvolvem no âmbito universitário. É evidente que uma coisa contribui com a outra.