A Cásper é um pedaço da minha história de vida

Por: Bárbara Muniz, 2º ano de Jornalismo

O semblante sereno e alegre logo entrega a simpatia e a leveza de espírito da recém-contratada professora de Língua Portuguesa ao corpo docente da Cásper Líbero

Marina Ruivo leciona para os cursos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, porém a sua relação com a instituição começou muito antes do que se pode imaginar: “Há algo bem sentimental. Desde criança a Cásper era uma referência para mim, porque a minha mãe estudou Jornalismo aqui. É um pedaço que faz parte da minha história de vida”.

Em meio à movimentação dos alunos e funcionários pelo 3º andar da faculdade ao fim de uma tarde de terça-feira, a professora iniciou uma narrativa sobre a sua trajetória da academia até às salas de aula Casperianas – e, assim, inverteu os papéis com os quais conviveu por grande parte da carreira científica: naquele momento ela seria a fonte, a entrevistada.

Chegar ao magistério não era a ideia inicial de Marina, que, aliás, afirmou que essa questão surgiu em sua vida de uma maneira um tanto… contraditória. Em um momento do seu Ensino Médio, quando um dos seus professores notou e comentou sobre o talento da jovem estudante para ajudar a elucidar os enunciados para os seus colegas, usando inclusive da lousa, ela rebateu de imediato a ideia de ser professora, mencionada por ele. Entre risos, ela disse que, até então, não desejava ser professora e nem imaginava isso para si.

O que ela gostava mesmo era de pesquisar. Desde o princípio foi esse o seu objetivo. E, assim que ingressou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), concentrou-se na busca do seu possível objeto de pesquisa. Sabia que trabalharia com literatura (uma das suas maiores paixões) e, em especial, com romances – e, a partir dessa premissa, foram várias as descobertas no âmbito acadêmico, que marcaram muitas das suas escolhas pessoais.

Aos 18 anos, passou pela experiência de substituir uma antiga professora em uma escola pública e percebeu que o retorno dos alunos não era nada parecido com o que ela esperava – o que, sinceramente, ela enxerga hoje como algo ótimo: “Era uma escola na Vila Anastácio. Cheguei com a maior boa vontade, com ideias novas. E foi um choque de realidade muito grande; não conseguia impor uma figura de autoridade para aqueles irrequietos os alunos. Foi uma experiência traumática. Mas também, a partir daí me veio a ideia de que as coisas podem mudar pela educação e embarquei nesse universo!” Foi uma oportunidade para “abrir a cabeça”, revisar e questionar valores para, então, concluir que era necessário amadurecer.

Contudo, a carreira como professora no Ensino Superior apenas começou a se esboçar depois de muitas passagens e vivências: a estadia no Crusp (Conjunto Residencial da USP), o aprendizado na Secretaria Municipal de Cultura como revisora de textos, os trabalhos com o mestrado, o doutorado e a chegada do primeiro filho, que coincidiu com o período de pesquisa da sua tese. Somente no ano de 2013 a pós-graduação e a graduação da Unimonte, na cidade de Santos, a recebiam como docente e, em 2015, a Cásper Líbero também.

Especificamente sobre os alunos de comunicação Casperianos, a professora não hesitou: eles a impressionaram, e ela tem gostado muito de participar dessa troca que faz parte do ambiente da sala de aula, desse diálogo que se estabeleceu tão espontaneamente.

Tratando da recepção da Cásper, Marina se diverte ao contar como as primeiras semanas de aula já marcaram a sua presença na instituição. Míope, ela acidentalmente sentou-se em cima dos seus óculos de grau: a lente saiu, as hastes ficaram levantadas. Não seria cogitável dar aula para 50 alunos sem enxergar nada. E, como a rotina corrida a impediu de consertar rapidamente os seus óculos, ela passou o dia pondo e tirando os óculos escuros (de grau), mesmo no ambiente fechado da faculdade – e esqueceu de avisar uma turma do curso de Publicidade sobre o incidente. Assim que sacou os óculos escuros para olhar para os alunos em sala, um deles também colocou os próprios óculos escuros, e levou praticamente todos os alunos a fazerem o mesmo em plena aula. A situação rendeu muitas fotos e risadas.

E o futuro? Marina pretende continuar a desenvolver pesquisas, pois, de acordo com ela, isso alimenta a alma e, por conseguinte, o trabalho em sala de aula fica mais produtivo – é essencial estudar sempre.