Cidadãos americanos cobram governo Trump na COP23

Por: Laura Uliana e Letícia Sé

People’s Delegation discute a retirada dos EUA do Acordo de Paris

Representantes de ONGs estadunidenses em palestra sobre a People’s Delegation | Foto: Letícia Sé

Representantes de organizações não-governamentais dos Estados Unidos, presentes neste segundo dia da cúpula climática da ONU, em Bonn, Alemanha, anunciaram a formação da plataforma People’s Delegation (Delegação do Povo), durante debate no pavilhão do país na COP 23.

Com a participação de indígenas e representantes de diversos movimentos sociais, novamente um alerta foi feito sobre os impactos das mudanças climáticas ignorados pelo governo de Donald Trump. “Sou da costa noroeste e sei que cidades como Olímpia devem desaparecer num futuro próximo”, afirmou Kiran Ooman, representante da ONG Our Children’s Trust, referindo-se ao aumento do nível do Oceano Pacífico em algumas regiões.

People’s Delegation quer combater o avanço da queima de combustíveis fósseis incentivado pelas políticas governamentais de desenvolvimento econômico da gestão de Trump. A plataforma pretende ainda engajar os estados, cidades, empresas e o público estadunidense com ações práticas para o enfrentamento do clima. Há cinco meses, Trump anunciou a saída  dos Estados Unidos do Acordo de Paris, ameaçando um retrocesso no cenário climático para o país e o resto do mundo.

As propostas do grupo são ambiciosas, principalmente diante do cenário político e econômico nacional, com forte apelo desenvolvimentista. A ideia é transformar todas as fontes de energia do país em renováveis. “Nós millennials somos a geração que apoia a transição para uma energia 100% renovável. Uma das coisas mais importantes sobre o movimento pelo clima é que nós temos o apoio do público, da maioria dos americanos”, explicou Varshini Prakash, integrante dos movimentos SustainUs  e Sunrise.

A discussão levantada pela People’s Delegation foi norteada pelo mal-estar provocado pelo anúncio da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, aprovado em 2015 e em vigor desde novembro do ano passado. O tratado internacional, assinado por todos os países do mundo, com a exceção da Síria e da Nicarágua, é a resposta mais robusta aos impactos das mudanças climáticas.