Da música para o mundo

Por: Lukas Cordeiro

Artista de teatro musical sonha em fazer ópera e seguir carreira na Europa

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Edição nº 3 – Junho de 2015

Raquel em preparação para o musical Mamma Mia | Crédito: Arquivo Pessoal.

Raquel em preparação para o musical Mamma Mia | Crédito: Arquivo Pessoal.

Quando não está no palco com o musical Mudança de Hábito, em cartaz no Teatro Renault, a cantora e atriz Raquel Paulin estuda canto lírico na Escola Municipal de Música de São Paulo, desde 2012. Filha de cantora e neta de pianista, o envolvimento da artista com a música começou aos 16 anos de idade. Maria Teresa, mãe de Raquel, percebendo um olhar diferente da filha pelo canto resolveu chamá-la para integrar o grupo ‘A Tempo’, um coral amador de música clássica do qual ela já fazia parte na capital paulista. Um ano depois, o envolvimento foi com teatro musical. Dessa vez, por conta própria, Raquel decidiu se aprofundar na música e no canto em uma escola especializada.

Na mesma época, oportunidades foram surgindo. Seu primeiro teste aconteceu na seleção para participar do elenco do filme High School Musical no Brasil. Logo após, inscreveu-se juntamente com seu irmão caçula para o musical Noviça Rebelde. E contrariando as expectativas, só o irmão conseguiu ser aprovado. Determinada e motivada, começou a fazer aula particular de Belting, uma técnica vocal para artistas de teatro musical. Mas não foi o suficiente para deixar a jovem satisfeita que, em 2009, iniciou seus estudos no curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Para unir o útil ao agradável, integrou o grupo do coral universitário, que garantia uma bolsa na graduação. “Foi aí que percebi que eu gostava mais de ir para faculdade por causa do coral do que pelo curso em si”, declara Raquel.

Por fim, a vida acadêmica durou pouco. Em menos de um ano no jornalismo, Raquel foi aprovada para seu primeiro musical, Mamma Mia. Tendo assim, que cancelar o curso e dedicar-se aos ensaios do espetáculo. Quando questionada sobre a desistência, a artista revela não se arrepender e declara que recebeu o apoio dos pais. “A cada conquista que eu tenho dentro do canto ou do teatro musical é mais uma certeza de que eles tomaram uma decisão certa em me apoiar”, afirma.

 

Raquel, a primeira da esquerda para a direita, em cena do musical Mamma Mia

Raquel, a primeira da esquerda para a direita, em cena do musical Mamma Mia

Ao terminar a temporada, em cartaz por mais de um ano no Teatro Abril (rebatizado hoje em dia de Teatro Renault), Raquel continuou estudando canto lírico com o tenor e regente Walter Chamun, seu primeiro professor de música, uma de suas grandes referências no meio musical. Paralelamente aos estudos, a jovem investiu em outras atividades. Participou de alguns grupos de corais de casamento, entre eles o coral Baccarelli, um dos mais antigos de São Paulo e trabalhou também por quase três anos como ‘garçonete-cantora’ no Broonklin Restaurante. Na temporada paulista do musical Shrek, Raquel fez parte do elenco da produção brasileira, que esteve em cartaz por três meses, no Teatro Bradesco. Ela lembra que ao saber da audição precisava “sapatear”, um dos pontos fundamentais para aprovação e por sorte, conseguiu aprender as técnicas básicas com seu irmão que já havia participado de outro musical de sapateado.

A artista destaca uma maneira de nunca desistir de continuar “audicionando” para musicais. “Sempre quando recebo um ‘não’ depois de alguma audição é só se lembrar das outras vezes que recebi um “sim”, de quando deu certo”. Destaca ainda que o começo de uma temporada em musical sempre é um momento especial. “As estreias marcam o início de um novo ciclo e trazem com elas, os resultados de um período de ensaio muito exaustivo”, afirma.

Em 2014, foi semifinalista do programa ‘Prelúdio’, concurso para jovens cantores da música erudita brasileira, idealizado pelo maestro Júlio Medaglia e produzido pela TV Cultura. Por falar em música, o Brasil talvez não esteja como o seu país futuro. “Eu gosto muito de teatro musical, mas meu maior sonho é fazer ópera. Meu plano de vida é ser uma cantora lírica e seguir uma carreira na Europa”, revela.

Cena panorâmica do musical Mudança de Hábito

Cena panorâmica do musical Mudança de Hábito

Atualmente, com 24 anos, Raquel tem uma das funções mais desafiadoras no musical Mudança de Hábito. Ela faz parte do “swing”, artista que não tem papel fixo no espetáculo. “Tem sido um grande desafio, uma adrenalina constante. Cada dia eu faço um personagem diferente”, conclui.