Pelo menos uma vez por mês

Por: Julia Parpulov

Roda de samba aberta para pessoas interessadas na valorização e promoção do samba relembra importantes compositores

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Edição nº 1 – 2014

Pelo Menos ainda no Bar Lua Nova, no Bixiga | Crédito: Nô Duarte

Pelo Menos ainda no Bar Lua Nova, no Bixiga | Crédito: Nô Duarte

Domingo à noite, em meio a viciados errantes que vagam pelas ruas do Centro de São Paulo, uma portinha iluminada chama a atenção. Lá no fundo, uma animada e intimista roda de samba.

O que começou como um pequeno e restrito encontro de amigos em 2010, no Bar Lua Nova, no bairro Bexiga, tornou-se um projeto que tem o intuito de valorizar e promover o samba, relembrando importantes compositores, além de incentivar e estimular a produção e a criação de novas canções. Os organizadores Danilo Oliveira, Mara Rita Oriolo e Nô Duarte não imaginavam que aquilo viraria um evento, que chega a reunir até duzentas pessoas Hoje, além deles, alguns parceiros permanentes compõem o time de músicos.

O Pelo Menos Uma Vez Por Mês, como foi nomeado, é um evento cultural, uma roda de samba composta por músicos profissionais e amadores. Acontece sempre aos primeiros domingos do mês, a partir das 20h, no espaço da Cia. Pessoal do Faroeste, na Rua do Triunfo, Bairro da Luz. É uma roda de samba aberta e espontânea que tem por objetivo a reunião de amigos num encontro pelo samba e com samba.

Pelo Menos Uma Vez Por Mês, no espaço da Cia. Pessoal do Faroeste, no Centro | Crédito: Priscila Machado

Pelo Menos Uma Vez Por Mês, no espaço da Cia. Pessoal do Faroeste, no Centro | Crédito: Priscila Machado

A roda é organizada em torno de mesas, e não especificamente em um palco. Grande parte dos instrumentos é tocada acusticamente, com exceção do núcleo harmônico e dos vocais, que dependem de uma mesa de som simples, com canais para violões, bandolins, cavaquinhos, além dos microfones. Desde que haja espaço, é permitido que qualquer pessoa participe da roda, cantando ou tocando algum instrumento.

Como exigência dos organizadores, a atividade é sempre gratuita e ocorre na região central ou próxima a uma estação de metrô. A divulgação, que é feita no boca a boca e nas redes sociais, tem garantido a presença de novos apreciadores e frequentadores assíduos. Normalmente esse público pede músicas, canta junto e dança em volta dos músicos.

Alguns sambistas, músicos e cantores profissionais e reconhecidos já participaram do Pelo Menos, como Tobias da Vai-Vai, Elisete Rosa, Di Melo, Chapinha Partideiro e Cida Lobo. Alguns artistas estão sempre presentes como Nanny Soul, Socorro Lira e Ione Papas.

Pelo Menos Uma Vez Por Mês, 2014 | Crédito: Priscila Machado

Pelo Menos Uma Vez Por Mês, 2014 | Crédito: Priscila Machado

PELO MENOS UMA VEZ

Letra e música: Mara Rita Oriolo

Trabalho o mês inteiro, esse é o meu legado
Depois vem no fim dele, mísero salário
Eu pago tanta coisa
É tudo muito caro
E fica no meu bolso
Apenas uns trocados

Refrão:
É só uma vez por mês
Que saio do balcão e viro freguês
Que eu vou pro samba
Vou pagar de artista
Tomar uma cerveja
E dançar na pista

Pelo menos uma vez sou protagonista

Pelo Menos, no espaço da Cia. Pessoal do Faroeste | Crédito: Priscila Machado

Pelo Menos, no espaço da Cia. Pessoal do Faroeste | Crédito: Priscila Machado

Nesta cidade louca que azucrina
E quando eu canto
Tudo vai embora
Eu posso feliz
Sambando aqui e agora

Refrão

E nesta roda eu tenho meu espaço
Eu me expresso, eu entro no compasso
Toco pandeiro, surdo, tamborim
Cuíca e repique na cadência assim