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O baixista Mikey Shoes, do Queen of the Stone Age
Crédito: divulgação

 

Os pés atolavam no lamaçal que dominava o Jockey Clube no dia 30. Podem ter sofrido um pouco  menos do que no dia anterior, mas muitos tênis e botas viveram suas horas finais no festival; felizes eram aqueles de galochas. O cheiro de estrume entortava os narizes do público, mas a quantidade de bandas boas tocando ao mesmo tempo ocupou as cabeças e pernas da multidão, que ia de um palco ao outro, procurando escutar de tudo um pouco.

Novamente o evento destacou-se por cumprir horários de maneira impecável, mas decaiu vertiginosamente em questão de qualidade sonora. Os palcos, especialmente o Alternativo e Cidade Jardim, apresentaram graves problemas de som. Havia momentos em que sumia a voz, outros, a guitarra. A qualidade do áudio oscilava e impediu o aproveitamento dos shows em seu máximo.

No meio da tarde de sábado a banda Tomahawk reuniu diversos curiosos no palco Butantã, atraídos por seu vocalista Mike Patton, frontman da famosa Faith No More. O grupo cumpriu sua meta e terminou o show com novos fãs de seu rock experimental. Enquanto isso, Gary Clark Jr. disputava as atenções no palco Alternativo, explorando um caloroso blues e psicodélico, fazendo alusões ao seiscentista Jimi Hendrix.

Pela primeira vez no Brasil, o fenômeno indie Two Door Cinema Club atraiu seu público fiel ao palco principal, o Cidade Jardim. Ansiosos pela apresentação, os fãs dançavam junto aos leves riffs de guitarra, marca registrada do grupo que permaneceu por cerca de uma hora no palco. Mais tarde, outra decisão tinha que ser tomada: Franz Ferdinand e Alabama Shakes no mesmo horário, em palcos opostos. Houve quem optasse pelos hits agitados do grupo escocês, que abriu seu retorno ao Brasil em menos de um ano com a famosa No You Girls. Outros apostaram na revelação de southern rock que, com apenas um álbum, embalou os ouvintes com o vocal grave e harmonioso de sua vocalista Brittany Howard.

O Queens of the Stone Age poderia tranquilamente ter sido firmado como headliner do Lollapalooza – ao menos se comportou como tal. A intensidade e qualidade de sua performance satisfez por completo os muitos fãs que foram ao festival apenas para vê-los. O líder Josh Homme e os outros integrantes da banda superaram as dificuldades sonoras e levaram a plateia a seu ápice, resultando em canções bradadas em coro e na formação de diversas rodas punk ao longo da pista lotada. Aproveitaram sua primeira apresentação ao vivo desde 2011 para fazer o debut mundial da música My God Is The Sun, do novo álbum a ser lançado esse ano, “…Like Clockwork”. Completaram o retorno inesquecível com hits como No One Knows, Sick, sick, sick e Little Sister.

Mesmo sendo apenas dois, Dan Auerbach (vocal e guitarra) e Patrick Carney (bateria), do The Black Keys, conseguiram agitar a enorme plateia do Lollapalooza 2013 – pelo menos até a metade do show. O setlist foi bem pensado, contendo diversos hits como Howlin’ For You, Next Girl e Lonely Boy, além de músicas mais antigas, Girl Is On My Mind do “Rubber Factory” (2004), para satisfazer os mais devotos. A interação dos dois era eletrizante: Dan andava pelo palco, dançava e agradecia sinceramente a todos os presentes. Já Patrick, mesmo atrás da bateria, vibrava a todo o momento. Mas apesar da energia de suas músicas, não foram capazes de segurar tanta gente. A cada canção, uma pausa. Palco vazio e silêncio. Era como ganhar chocolate, mas tirarem-no de você logo depois, repetidas vezes. E como agravante ainda havia as falhas no som. Chegou um momento em que nem a incrível iluminação do palco ou o imenso letreiro luminoso com o nome da banda podiam recuperar a energia.

Então o segundo dia do festival termina. Bom, mas com um desejo de algo mais.